quinta-feira, 26 de julho de 2012

Meu Deus, obrigado por não responderes às minhas orações


Muitas passagens na Bíblia nos mostram claramente que o silêncio de Deus foi a melhor resposta às orações. Em outros casos, as respostas dadas mostraram não ser o melhor para quem as pediu.

Jesus – o Filho de Deus


Esse questionamento por parte de Jesus tem um profundo significado para toda a humanidade. Em primeiro lugar, porque revela que Deus realmente Se manifestou na carne: "evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele (Deus) que foi manifestado na carne" (1 Timóteo 3.16). Além disso, ele também mostra que, de fato e de verdade, Jesus tornou-se 100% humano, estando inclusive sujeito à morte. Lemos em Filipenses 2.7-8: "Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz".
Jesus, o Filho de Deus, deixou Sua habitação de poder, autoridade e glória e tornou-se um homem de carne e osso. Pela Bíblia sabemos que Ele foi tentado como nós somos tentados. Ele sentia cansaço, fome e sede; sentia alegria, tristeza, insatisfação e compaixão. Mas com uma diferença: Ele não tinha pecado!
O mais inexplicável mistério na história da humanidade é Deus manifestado na carne. Essa declaração tem sido pedra de tropeço para muitos que não estavam realmente em busca da verdade.
Um considerável número de religiões não crê em Jesus como o Filho de Deus. Seguidamente elas usam esta afirmação para justificar suas falácias, dizendo em tom de escárnio: "Se Jesus era Deus, então porque Ele orou ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ Por acaso Ele estava orando para si mesmo?"
Uma pessoa honesta que ousasse fazer tal questionamento iria rapidamente encontrar a resposta estudando as Escrituras e aprenderia logo que Jesus de fato é Deus.
Vamos analisar alguns exemplos:
Depois de Jesus ter curado um paralítico no tanque de Betesda, Seus inimigos Lhe fizeram a seguinte acusação: "e, porque ele disse isso, os líderes judeus ficaram ainda com mais vontade de matá-lo. Pois, além de não obedecer à lei do sábado, ele afirmava que Deus era o seu próprio Pai, fazendo-se assim igual a Deus" (João 5.18). Eles afirmavam que Jesus se fazia "igual a Deus" 
Aqueles que escarneciam e acusavam Jesus ouviram-nO testemunhando que Ele era Deus, conforme lemos em Mateus 27.43: "...porque (Jesus) disse: Sou Filho de Deus".
Quando Jesus morreu, um centurião, do qual não sabemos o nome, declarou no versículo 54: "...verdadeiramente este era Filho de Deus"
Em João 20.28 lemos: "Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!".

A Grande Resposta Silenciosa

O que teria acontecido se Deus tivesse respondido ao apelo do Senhor Jesus? O que teria acontecido se o Pai não tivesse abandonado o Filho? O que teria acontecido se Deus tivesse respondido ao desafio dos principais sacerdotes, escribas e anciãos quando disseram: "Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus"(Mateus 27.43)? A resposta é a terrível realidade do que nós merecíamos! Cada um de nós permaneceria morto em suas transgressões e pecados, abandonado por Deus por toda a eternidade! Não teria havido salvação para a humanidade! Efésios 2.12 demonstra claramente nossa posição desesperançada: "naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo".

Se o Pai celestial tivesse respondido à oração de Jesus na cruz, não haveria futuro para nós, mas um perpétuo e imensurável sofrimento além de uma eternidade no inferno!
Entretanto, as Escrituras continuam: "Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo"(v. 13).

Assim sendo, para o nosso próprio bem, a melhor resposta para o clamor do Senhor Jesus foi o silêncio de Deus. Jesus deliberadamente veio à terra com o único propósito de redimir o homem caído. Sua vinda não foi um acidente ou o resultado de alguma circunstância invisível, mas fazia parte do plano eterno de Deus para a nossa salvação.

Se queremos ter um entendimento melhor do sacrifício supremo de Deus, precisamos ver a realidade de Suas intenções. Teremos um entendimento mais profundo para reconhecer Sua posição eterna ao nos ocupar com a Sua palavra. Para Deus nada acontece por acidente, nem existem coincidências. Deus não depende da nossa percepção de tempo porque Ele é eterno. Somente quando tivermos alcançado nosso destino final é que entenderemos o que é a eternidade.

Antes da Fundação do Mundo

Pedro amplia nossa visão sobre a vinda de Cristo: "mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós" (1 Pedro 1.19-20). Mesmo antes do homem ter caído em pecado, Deus, em Sua onisciência, estabeleceu um plano de salvação que foi manifesto com a vinda de Jesus. E até mesmo o evento real que aconteceu aqui na terra foi suplantado pela resolução eterna proclamada em Apocalipse 13.8: "...do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo".

É virtualmente impossível entendermos essa incrível verdade apenas com o nosso intelecto limitado. Como algo pode ter ocorrido mesmo antes de ter se manifestado fisicamente aqui na terra? Não encontramos resposta se fizermos a pergunta nesse nível. Quem pode explicar intelectualmente a passagem: "...assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo..."(Efésios 1.4)? Podemos apenas perceber espiritualmente essa realidade quando a vemos pela perspectiva celestial. Para ilustrar esse fato, consideremos o seguinte exemplo:

Sabemos que o sol nasce no leste e se põe no oeste. Podemos determinar isso cientificamente através do uso de instrumentos que medem os movimentos do sol. Porém esse fato científico se tornaria nulo se viajássemos no espaço, pois lá as regras mudam, a lei do espaço vigoraria e veríamos que a Terra, na realidade, faz seu movimento de rotação em torno do próprio eixo, criando assim a ilusão de que o sol nasce no leste e se põe no oeste.

Jesus no Jardim

Para termos um entendimento melhor da morte voluntária de Jesus e do silêncio de Seu Pai em resposta à Sua oração, devemos primeiro olhar mais de perto aquela fatídica noite no Jardim Getsêmani: "Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mateus 26.36-39). Do ponto de vista humano, esse é um dos mais trágicos eventos do Novo Testamento. Lemos uma descrição detalhada do comportamento do Senhor antes de Sua prisão, que resultou em Sua condenação e posterior execução na cruz do Calvário.

Jesus levou consigo Seus discípulos mais próximos, dos quais Pedro era o mais chegado. Lembre-se que pouco tempo antes Pedro jurara solenemente ser um fiel seguidor de Jesus, mesmo que isso lhe custasse a própria vida: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei..." (v. 35). Pedro fez uma declaração corajosa ao afirmar abertamente que seguiria Jesus mesmo que tivesse de morrer por isso.

Pedro Falhou

O Senhor já havia informado a Pedro que Ele teria de morrer para que as Escrituras se cumprissem. Pedro entendeu isso, porque anteriormente havia identificado o Senhor como sendo "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16.16). A confissão de Pedro deu-se num lugar chamado Cesaréia de Filipe, onde Jesus perguntou a Seus discípulos: "Quem diz o povo ser o Filho do Homem?" (Mateus 16.13). É óbvio que Pedro sabia que a palavra profética tinha de ser cumprida. Ele não tentava mais defender Jesus, mas sabia que a morte era inevitável. Veja que ele disse: "Ainda que me seja necessário morrer contigo..." O fato de que Jesus teria de morrer já havia sido entendido, e o que restava agora era uma questão de fidelidade ao Senhor. Pedro permaneceria fiel até o fim?
De acordo com a Palavra de Deus sabemos que ele não o fez. Pedro negou ao Senhor, não apenas uma, nem duas, mas três vezes, como Jesus profetizou que ele faria.

No Getsêmani

Agora vamos focalizar nossa atenção no Senhor que foi até o jardim chamado Getsêmani, afastando-Se dos discípulos e ficando apenas com Pedro e os dois filhos de Zebedeu a Seu lado. Quando Ele ficou sozinho, mais tarde, "adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando..."(Mateus 26.39). Qual foi a Sua oração? "..Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (v. 39). Jesus não recebeu resposta. O Pai ficou em silêncio. Jesus voltou até onde estavam os Seus discípulos: "...E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca"(vv. 40-41). Algo muito natural tinha acabado de acontecer: a carne dos discípulos não estava disposta e nem era capaz de resistir aos ataques de Satanás.

Não sabemos quanto tempo o Senhor orou, mas deve ter sido durante pelo menos uma hora, se nos basearmos na afirmação: "Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?" Apesar da promessa determinada de Pedro de morrer com o Senhor, ele já havia se afastado da batalha que acontecia no Getsêmani.

A Oração Contínua de Jesus

"Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (v. 42). Novamente não houve uma resposta do Pai, apenas silêncio. Jesus deu aos discípulos outra chance: "...voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados" (v. 43). Desta vez o Senhor não os acordou nem deu outra instrução. Ao invés disso, lemos que Ele: "...Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras" (v. 44).

A Agonia

Ao lermos o relato no evangelho de Marcos notamos que o evento é descrito de uma forma um pouco diferente. Entretanto, Lucas revela que após Jesus ter orado, "...lhe apareceu um anjo do céu que o confortava" (Lucas 22.43). Não nos é revelado como ele O "confortava", mas no versículo seguinte lemos que Suas orações tornaram-se ainda mais desesperadas: "E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra" (v. 44).

Quando analisamos esse fato de uma perspectiva humana, ele parece-nos ilógico, porque o versículo anterior diz que Jesus acabara de ser consolado por um anjo do céu, continuando a batalhar em oração a tal ponto que "gotas de sangue" caíram sobre a terra. Foi o consolo do anjo uma resposta à Sua oração ou esse consolo era necessário para que Ele continuasse orando? Creio que a segunda opção é a correta, como veremos ao examinarmos mais detalhadamente essa situação.

A Tentação no Getsêmani

Normalmente se interpreta que Jesus, como Filho do Homem, em carne e osso, tinha medo da morte como qualquer outro ser humano. Assim sendo, não seria surpresa que Jesus orasse que "este cálice", representando a morte na cruz, fosse passado d’Ele. Entretanto, tal interpretação não corresponde a versículos como os do Salmo 40.7-8: "Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei". Jesus se agradava em fazer a perfeita vontade de Deus, a qual foi estabelecida antes da fundação do mundo.

Para estar certo de que Davi não estava falando de si mesmo nesta passagem, encontramos a confirmação em Hebreus 10.7,9,10: "Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade... então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas". Se olharmos a oração de Jesus no Jardim Getsêmani como um sinal de fraqueza, apesar d’Ele ter sido consolado por um anjo, tal comportamento iria contradizer a passagem profética que acabamos de ler.

Como Cordeiro Para o Matadouro

Consideremos o texto de Isaías 53.3,5 e 7: "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso... Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca".
Como um cordeiro, Jesus foi levado para o matadouro; Ele permaneceu em silêncio como uma ovelha.

Morte no Getsêmani?

Essas passagens das Escrituras nos dão razões para crer que algo mais tenha acontecido no Jardim Getsêmani quando Jesus orou para que "este cálice" pudesse ser passado dEle. Essa seria uma oração desnecessária, uma exibição de fraqueza e indecisão, mas tal quadro não corresponde à descrição completa do Messias.
Enquanto aparentemente o Pai ficou em silêncio diante da tríplice oração de Jesus, as Escrituras documentam que Sua oração, na verdade, foi respondida. Hebreus 5.5 fala de Cristo como o sacerdote da ordem de Melquisedeque: "assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei".
O versículo 7 contém a resposta a essa oração: "Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade". O Getsêmani foi o único local onde Jesus pediu que Sua vida fosse poupada; Jesus não morreu no Jardim Getsêmani.
O silêncio aparente de Deus diante da oração de Jesus no Jardim foi, como vimos, uma clara resposta a essa oração. Desse ponto de vista, entendemos que a oração de Jesus não foi para que Sua vida fosse poupada na cruz do Calvário. A oração de Jesus foi ter sua vida poupada para que não morresse ali no Jardim Getsêmani. Ele estava destinado a morrer na cruz do Calvário para tirar os pecados do mundo.
O que aconteceu no Jardim Getsêmani? Pelo que já vimos, é claro que os poderes das trevas e mesmo a morte estavam prontos a tirar a vida de Jesus ali mesmo naquela hora. Em Mateus 26.38 lemos: "Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo". Marcos 14.34 revela: "...E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte..."
Mesmo que Jesus não tenha morrido fisicamente no Jardim Getsêmani, Ele foi certamente obediente até à morte; Ele experimentou a morte dupla de um pecador condenado! Ele foi "obediente até à morte e morte de cruz" (Filipenses 2.8).

Quando Deus Não Responde

Esta análise da vida de oração de nosso Senhor antes de Sua crucificação deveria nos ensinar que as respostas às nossas orações podem nem sempre ser o mais importante. Podemos passar por derrotas, doenças, tragédias e catástrofes. Mas o que realmente deve ser lembrado é que somos de Cristo.
Creio que é por essa razão que, ao falar de provas e tribulações, o apóstolo Pedro exclamou triunfante: "Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (1 Pedro 1.6-7).


Arno Froese É o Diretor-Executivo da Obra Missionária Chamada da Meia-Noite nos Estados Unidos. Realiza várias conferências anualmente nos EUA e edita as revistas “Chamada da Meia-Noite” e “Notícias de Israel” em língua inglesa. Arno Froese é autor dos livros: “A Misteriosa Babilônia de Saddam”, “Rumo ao Sétimo Milênio”, “O Arrebatamento” (em língua inglesa) e “Como a Democracia Elegerá o Anticristo” (disponível em português).


terça-feira, 24 de julho de 2012

LIVRES DE TODA MALDIÇÃO

GÁLATAS: 3:6-14 – Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.


Nessa passagem bíblica Paulo exalta a fé de Abraão em Deus. Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça. Em Abraão todos os povos seriam abençoados, todos que demonstrassem a mesma fé perante Deus.

Hebreus 11:8-17 – Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.

Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido. Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.

A fé de Abraão o fez obedecer o chamado de Deus e partiu para receber um terra por herança que nem sequer sabia a localização. Acreditou ainda, que Sara, sua esposa, mesmo de idade avançada poderia dar-lhe um filho. Pela fé Abraão venceu a prova que Deus lhe impôs ao requerer Isaque, seu filho.

Paulo nos adverte a ter uma fé como a de Abraão para que possamos ser abençoados por Deus. Não devemos seguir uma religião legalista como fazia o povo de Israel. Todos os que estão debaixo da lei estão sob sua maldição. Quem vive o legalismo e não permanece em todas as coisas da lei está sob maldição.

Deuteronômio 27:26 – “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo.”

Deuteronômio 28:15 – Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão

Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei fazendo-se (Ele próprio) maldição em nosso lugar. (Gl 3:13). Uma vez que todos transgridem a aliança de Deus ao infringir a lei, todos merecem receber a punição da lei. Porém, Cristo assumiu a maldição em nosso lugar concedendo-nos a paz com Deus.

2 Coríntios 5:21 – Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

Colossenses 2:13-15 – e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.

1 Pedro 2:22-25 – Ele não cometeu pecado, nem tão pouco foi achado engano na sua boca, sendo injuriado, não injuriava, padecendo, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente, levando ele próprio os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, a fim de que, mortos aos pecados, vivamos à justiça. Por suas feridas fostes sarados. Pois éreis desgarrados como ovelhas, mas agora vos haveis convertido ao Pastor e Bispo das vossas almas.



Não há que se falar em maldição na vida do Cristão. Cristo foi pendurado no madeiro para que a bênção de Abraão chegasse até nós e para que recebêssemos o bem mais precioso: Espírito Santo. Dessa forma, através do sacrifício de Jesus aliado a nossa fé, a promessa que Deus fez a Abraão de que todas as famílias seriam benditas através dele se cumpriu.
Devemos prestar atenção no verbo “RESGATOU”. Isso quer dizer que é uma ação passada. Se você está em Cristo não há mais maldição na sua vida!

Provérbios 3:33 – A maldição do Senhor habita na casa do ímpio, mas ele abençoa a habitação dos justos.

Provérbios 26:2 – Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso.

Números 23:23 – Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!

Os cristãos que verdadeiramente andam em Cristo não podem viver debaixo de maldição. A morada dos justos Deus abençoa e não existe maldição sem causa. Se você está em Cristo você é a Israel de Deus e faz parte da Igreja do Senhor aqui na terra, então contra ti não cabe encantamento.
Agora, se você não vive uma vida ao lado de Cristo, pode começara a se preocupar. Se você vive uma vida afastada de Cristo, você ainda vive sobre a maldição da lei, pois o seu pecado ainda não foi justificado. Andando longe de Cristo você dá lugar ao diabo em sua vida.

Efésios 4:27 – Não deis lugar ao diabo

1 Pedro 5:8 – Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar;

Sem Jesus Cristo você não é livre de maldições. A proteção do Senhor não estará em sua vida. Recorrentemente vemos algumas espécies de maldições:

Maldições Hereditárias – Deuteronômio 5:9 – porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

O que a Bíblia relata aqui é a conseqüência dos pecados dos pais nos filhos, dada a real possibilidade dos filhos seguirem os passos dos pais. Assim, eles atrairão sobre si as mesmas maldições. Uma coisa deve ficar clara: cada pagará pelo que deve! Uma pessoa não paga pelo erro do outro. O único que pagou por nós foi Jesus Cristo.

Deuteronômio 24:16 – Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.

Mesmo que o pai tenha levado uma vida de pecado, quando uma pessoa aceita a Cristo todas as maldições são quebradas e o Espírito Santo ilumina a vida desta pessoa para uma vida em santidade.

Maldições diárias – são aquelas proferidas pelas pessoas no seu viver cotidiano. Com a boca proferem palavras de maldição sobre alguém.

Tiago 3:8-11 – mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim. Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?

Devemos guardar nossas bocas de palavras malignas e destruidoras, pois quem age assim é o ímpio.

Provérbios 11:9 – O ímpio com a boca arruina o seu próximo

Mas, a boca do justo produz sabedoria

Provérbios 10:31 – A boca do justo produz sabedoria;

O justo utiliza sua boca é para abençoar o seu próximo. Com este sermão devemos ter a certeza de uma coisa. Ao lado de Jesus Cristo essas maldições não vêm sobre a nossa vida.

Romanos 8:1-4 – Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Não há condenação para os que estão ao lado Cristo Jesus, fomos justificados e mediante a fé temos paz e comunhão com Deus. Aceite Jesus Cristo e sua vida e fique livre de toda maldição!


AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Podemos confiar nos 66 livros da Bíblia?

O Que é o Culto Cristão



Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes





Culto é um fenômeno multireligioso e multicultural. Em outras palavras, está presente em todas as culturas, de todos os tempos e lugares e, por isso, em toda e qualquer religião que se possa descrever. Claro que tal variedade traz a todos uma séria dificuldade do correto entendimento quando estamos pensando sobre o Culto Cristão.

Admite-se, geralmente, que um culto tem por finalidade estabelecer, mediante ritos, dogmas e símbolos, relações entre os seres humanos e a(s) divindade(s). Quer por magia, sacrifício, orações ou outros meios, imagina-se que um culto deva criar, entre o mundo dos deuses e o mundo dos seres humanos, um intercâmbio proveitoso para ambos. Seria, neste ponto-de-vista uma espécie de fonte de revitalização e felicidade, quer para deus(es) quer para seres humanos. Tal modo de entender o culto é profundamente pagão e mesmo contrário ao princípio fundamental do Culto na Bíblia.

A Bíblia, quando desejou falar sobre o que denominamos de Culto, não foi procurar na linguagem humana um termo usado em outras religiões, mas uma palavra que se encontra no dia-a-dia das pessoas. Essencialmente, na Bíblia, culto é serviço. [*] Um serviço nada mais é do que algo que fazemos para outros, podendo ser um serviço doméstico ou um serviço municipal de água e esgoto ou ainda mesmo umserviço social. Mesmo que os termos, quer no hebraico (língua do AT), quer no grego (língua do NT), sejam variados, todos encerram este mesmo significado comum, corriqueiro e bem simples: servir a outras pessoas.

Iniciaremos, pois, afirmando que o Culto Cristão é o serviço que Deus realiza em favor dos Seus, ou em favor do Seu povo. [**] É isto mesmo: culto é ato divino, na Bíblia, e não ato humano. Esta é a primeira e fundamental diferença entre o conceito pagão e o conceito cristão de culto. O culto não é ação humana, mas ato de Deus em favor dos Seus. É serviço divino cujo favorecido é do povo de Deus. Senão, vejamos:

Segundo a Bíblia, Deus é santo e nós pecadores. Estamos apartados d'Ele, pois os nossos pecados fazem uma divisão entre nós e Ele, divisão esta que não podemos por nós mesmos superar. Como, então, poderíamos, sequer, comparecer em Sua santa presença? Razão porque diz Isaías: Quando vindes comparecer perante Mim, quem vos requereu o só pisardes nos Meus átrios? (Isaías 1:12). Somos pecadores e não podemos comparecer diante de Deus, somente aqueles a quem Ele assim "requer", ou seja, aos que Ele chamou. E, claro, se Ele nos chamou isto é graça e misericórdia, ou seja, serviço divino em nosso favor.

Segundo a Bíblia, Deus é auto-suficiente, não precisa de nada e nem de ninguém. Ele é em Si e por Si. Seria mesmo blasfêmia irreverente julgar que Deus precisa de nossas lisonjas ou de nossos elogios para sentir-se satisfeito em Suas vaidades pessoais. Pois muitos há que pensam que Deus precisa de nossos louvores e que, com tais louvores, de algum modo, aplacamos a ira divina de sobre nós, "enganando-O" com nossas doces palavras. Não é Deus que precisa de louvores, mas nós que, louvando-O, retornamos à essência de nossa natureza, pois fomos feitos para o louvor da Sua glória. Assim, poder estar na presença de Deus, o que não poderíamos senão por Sua misericordiosa graça, e ainda poder dirigir a Ele nossa palavra, louvando-O, é, de modo igual, graça misericordiosa, pois, ainda que pecadores. Deus nos permite retornar à essência de nossa natureza, sendo este outro serviço de Deus em nosso favor.

Segundo a Bíblia, Deus é misericordioso e compassivo, paciente e assaz benigno. Por este motivo, ainda que indignos pecadores, podemos comparecer em Sua santa presença e, como um Pai bondoso, ainda que sejamos indesculpáveis pecadores, Ele ouve, no culto, a nossa confissão e nos estende o Seu perdão, sendo este outro serviço misericordioso de Deus em favor do Seu povo.

Segundo a Bíblia, Deus se revela, se mostra, ainda que sejamos incapazes de compreendê-lo em Sua plenitude. Deus se auto-revela ao Seu povo por meio da Sua Palavra. Ele fala conosco, não só Se mostrando, mas, na medida em que Se revela, nos revela a Sua vontade, o Seu plano, o Seu projeto para nós e para o mundo. Em outras palavras: por meio de Sua Santa Palavra Deus endireita as nossas veredas tortas, lançando luz sobre os nossos caminhos para que, realizando a Sua vontade, vivamos, não segundo a natureza decaída e pecaminosa que nos afasta d'Ele, mas conforme a Sua vontade boa, agradável e santa, sendo este outro serviço de Deus em favor do Seu povo.

Segundo a Bíblia, Deus é o dono de tudo aquilo que criou, sendo d'Ele a prata e o ouro. Mas Deus nos permite, com o que d'Ele recebemos graciosamente, participar da Sua obra neste mundo, devolvendo-Lhe os nossos dízimos e ofertas. Nada temos que não seja d'Ele mesmo. Nada Ele precisa daquilo que nos deu. Mas Ele nos dá esta graça de sermos parte do Seu serviço Lhe devolvendo, como expressão de gratidão, um pouco do muito que nos dá. Assim, até mesmo o fato de podermos agradecer a Deus é expressão pura de Sua misericórdia, pois se não ofertássemos não seríamos parte da obra de Deus e, assim, estaríamos fora de Sua obra redentora, de tal sorte que ofertas, sejam quais forem, aceitas por Deus, fazem parte do serviço divino em nosso favor.

Segundo a Bíblia, Deus é soberano e age por Si e segundo o beneplácito de Sua vontade soberana. Mas Ele nos permite, por bondade, realizar a Sua vontade, sustentar a Sua causa. Por isso Ele nos chama e nos comissiona a realizar a Sua obra. Algo que nem aos anjos Ele quis dar, senão somente àqueles que chamou para Si. Para isto Ele nos fortalece, dando-Se a nós como alimento e sustento, sendo esta mesa farta e eficaz. E, ao nos enviar ao mundo, por meio da bênção que invoca sobre os Seus, Deus expressa Sua misericórdia e bondade, confiando em pecadores para que tomem parte na obra da redenção, sendo este outro serviço bondoso de Deus.

O Culto Cristão é o serviço que Deus realiza em favor dos Seus, ou em favor do Seu povo, pois Ele nos vê na solidão do mundo, perdidos em nossos pecados, vai ao nosso encontro, nos chama, nos traz para a Sua presença, nos aceita como somos, nos dá o Seu perdão imerecido, nos permite retornar à essência de nossa própria natureza, fala conosco, Se revela a nós, partilha Seus planos e vontade conosco, nos permite sustentar a Sua obra, nos envolve nela e nos alimenta para que, abençoados, sejamos uma bênção Sua a todos os que jazem na morte O Culto Cristão é ato divino em favor do Seu povo, pois é pura expressão de Sua graça, misericórdia, bondade, paciência e vontade soberana. [**]

O Culto é de Deus e não dos seres humanos. É essencialmente ação divina e não ação humana. É algo que Deus nos dá e não algo que Lhe damos, pois Deus de nada precisa, muito menos aquilo que pensamos poder Lhe dar. [**]

Segundo a Bíblia, Deus não age em vão, ou seja, age sempre visando um propósito, ou um fim proveitoso. Ora, Deus sempre chama de algum lugar para um determinado fim. Ao nos chamar da dispersão do mundo para a congregação dos Seus filhos, Deus nos chama visando um fim proveitoso, quer para os Seus filhos, quer para o mundo. Na lição anterior vimos o serviço de Deus aos Seus, mas nesta veremos o serviço de Deus ao mundo.

Segundo a Bíblia, Deus tem um plano para este mundo. Seu plano é perfeito e eficaz e Ele o está executando. Parte deste plano está relacionado ao Seu povo: é por meio deste povo que Deus realiza a Sua vontade no mundo. No passado este povo foi Israel, hoje, é o Israel de Deus, ou seja, a Igreja.

Não é sem motivo que o termo igreja é uma transliteração do termo grego "ekklesia". O termo grego "ek-klesia" é a junção da preposição "ek" com o verbo "kaléo". A preposição "ek" corresponderia, em português, à preposição "ex" (de fora), e, o verbo "kaléo", ao verbo "chamar". Traduzindo-se literalmente seria "chamados de fora". Deus, que está apartado deste mundo pecador, nos chama para Si. Mas Ele também nos envia, de volta ao mundo, para realizar a Sua vontade, o Seu plano para com este mundo. Neste ponto entra em cena a segunda característica do Culto Cristão, pois ele é, também, o serviço de Deus ao mundo, realizado por meio daqueles a quem Ele chamou e enviou.

O serviço de Deus a este mundo passa pelo serviço da Igreja no meio do mundo. Em outras palavras, Deus nos chama e nos envia com uma missão. Realizar esta missão no meio do mundo é servir a Deus. Servir a Deus é ser uma bênção no meio do mundo que necessita de Deus. Neste sentido, e somente neste, pode-se dizer que o Culto Cristão é servido do povo a Deus, na medida que é serviço feito às pessoas que sofrem no mundo decaído e sem Deus. Nós servimos a Deus servindo o nosso próximo.

Este é o resumo que Jesus Cristo fez de todos os mandamentos: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças, de todo o teu entendimento; e, o outro, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disto depende a Lei e os Profetas. Assim, temos no Culto Cristão um duplo serviço divino: um dirigido a Seu povo e outro dirigido ao mundo. Deus quer ser servido pelos Seus no serviço que estes dedicarem ao próximo.

Este foi o motivo pelo qual os profetas criticaram o culto da antiga aliança, pois o povo desejava comparecer diante de Deus, receber d'Ele todos os benefícios do culto, mas não serviam a Deus no serviço do próximo. Culto não é ato ritual, mas ato de vida. Cumprir os deveres para com Deus (primeira tábua dos 10 Mandamento: Êxodo 20:1-8 ) é, de igual modo, cumprir os deveres para com o próximo (segunda tábua dos 10 mandamentos: Êxodo 20:9-17 ) [***]. O ato de culto deve expressar-se em gestos eficientes, concretos e claros em nossa relação com o próximo. Este é o serviço do povo a Deus, que em nada precisa de nossos serviços, mas que por misericordiosa graça nos chama a sermos partícipes de Sua obra para este mundo, nos enviando de volta ao lugar de onde nos congregou para vivermos conforme a Sua vontade e estendendo a Sua bênção a outros.

Assim, culto não é ritual, melodia, formas, estética, beleza, palavras, cânticos, dogmas, símbolos, ou qualquer outro detalhe que lhe podemos conferir. Culto é vida que vivemos; se ela está à serviço de Deus ou não, se está ou não à disposição de Deus no atendimento do nosso próximo. Por isso Jesus recomenda que, quando trazemos a nossa oferta a Deus, mas o nosso irmão tem algo contra nós, melhor deixar a oferta onde está, procurar o irmão e reconciliar-se com o mesmo (Mateus 5:23-24 ). A oferta não seria expressão correta do culto, mas um modo de tentar ludibriar a Deus (que tudo vê e sabe).

O Culto Cristão é, assim, um ato de resposta à ação bondosa de Deus. Sendo que de nada adianta apresentar-se a Deus com lindos cânticos, boa música, roupas novas, palavras belamente escolhidas, ofertas nas mãos, se negamos dia-a-dia isto com nossos gestos, não servido ao propósito e ao fim proveitoso para o qual Deus nos separou do meio do mundo. Deus nos chamou com uma finalidade bem clara: Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. (Miquéias 6:8). Por isso diz: Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para Mim abominação, e também as festas, os sábados, e a convocação das congregações; (...) a Minha alma as aborrece, estou canso de as sofrer. Pelo que, quando estendei as mãos, esconde vós os Meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei o opressor, defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas. (Isaías 1:13-17).

O Culto Cristão é um ato de resposta à ação bondosa de Deus, que nos recolheu do mundo para nos alimentar e suster por Seu perdão amoroso e Sua Palavra orientadora. Culto não é rito, por mais espiritual que isto possa parecer. Ao criticar atitudes assim, disse Deus: Mesmo neste estado ainda Me procuram dia a dia, dizendo: Por que jejuamos nós e Tu não atentas para isso? Por que nos afligimos e Tu não levas isso em conta? Por que, no dia em que jejuais, exigi que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para rixas e contendas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim, não se fará ouvir a vossa voz no alto.(...) Este é o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixe livre os oprimidos e quebres todo o jugo,(...) que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os desabrigados, e se vieres o nu o cubras, e não te escondas do teu semelhante. (Isaías 58).





Tipos de sermões que atrapalham o culto

1) O SERMÃO SEDATIVO – É aquele que parece anestesia geral. Mal o pregador começou a falar e a congregação já está quase roncando. Caracteriza-se pelo tom de voz monótono, arrastado, e pelo linguajar pesado, típico do começo do século, com expressões arcaicas e carregadas de chavões deste tipo: "Prezados irmãos, estamos chegando aos derradeiros meandros desta senda", Porque não dizer: "Irmãos, estamos chegando às últimas curvas do caminho"? Seria tão mais fácil de entender. Ficar acordado num sermão desse tipo é quase uma prova de resistência física. Como dizia Spurgeon: "Há colegas de ministério que pregam de modo intolerável: ou nos provocam raiva ou nos dão sono. Nenhum anestésico pode igualar-se a alguns discursos nas propriedades soníferas. Nenhum ser humano que não seja dotado de infinita paciência poderia suportar ouvi-los, e bem faz a natureza em libertá-lo por meio do sono".



2) O SERMÃO INSÍPIDO – Esse sermão pode até ter uma linguagem mais moderna e um tom de voz melhor, mas não tem gosto e é duro de engolir. As idéias são pálidas, sem nenhum brilho que as torne interessantes. Muitas vezes é um sermão sobre temas profundos, porém sem o sabor de uma aplicação contemporânea, ou sem o bom gosto de uma ilustração. É como se fosse comida sem sal. É como pregar sobre as profecias de Apocalipse, por exemplo, sem mostrar a importância disso para a vida prática. O pregador não tem o direito de apresentar uma mensagem insípida, porque a Bíblia não é insípida. O pregador tem o dever de explorar as belezas da Bíblia, selecioná-las, pois são tantas, e esbanjá-las perante a congregação.

3) O SERMÃO ÓBVIO – É aquele sermão que diz apenas o que todo mundo já sabe e está cansado de ouvir. O ouvinte é quase capaz de "adivinhar" o final de cada frase de tanto que já ouviu. É como ficar dizendo que roubar é pecado ou que quem se perder não vai se salvar (é óbvio). Isso é uma verdade, mas tudo o que se fala no púlpito é verdade. Com raras exceções, ninguém diz inverdades no púlpito. O que falta é apenas revestir essa verdade de um interesse presente e imediato.


4) O SERMÃO INDISCRETO – É aquele que fala de coisas apropriadas para qualquer ambiente menos para uma igreja, onde as pessoas estão famintas do pão da vida. Às vezes, o assunto é impróprio até para outros ambientes. Certa ocasião ouvi um pregador descrever o pecado de Davi com Bate-Seba com tantos detalhes que quase criou um clima erótico na congregação. Noutra ocasião, uma senhora que costumava visitar a igreja confessou-me que perdeu o interesse porque ouviu um sermão em que noventa por cento do assunto girava em torno dos casos de prostituição da Bíblia, descritos com detalhes. E acrescentou: "Achei repugnante. Se eu quiser ouvir sobre prostituição, ligo a TV". De outra vez, um amigo me contou de um sermão que o fez sair traumatizado da igreja, pois o pregador gastou metade do tempo relatando as cenas horrorosas de um caso de estupro. Por favor, pregadores: o púlpito não é para isso. Para esse tipo de matéria existem os noticiários policiais.

5) O SERMÃO REPORTAGEM – É aquele que fala de tudo, menos da Bíblia. Inspira-se nas notícias de jornais, manchetes de revistas e reportagens da televisão. Parece uma compilação das notícias de maior impacto da semana. É um sermão totalmente desprovido do poder do Espírito Santo e da beleza de Jesus Cristo. É uma tentativa de aproveitar o interesse despertado pela mídia para substituir a falta de estudo da Palavra de Deus. Notícias podem ser usadas esporadicamente para rápidas ilustrações, nunca como base de um sermão.

6) O SERMÃO DE MARKETING – É aquele usado para promover e divulgar os projetos da igreja ou as atividades dos diversos departamentos. Usar o púlpito, por exemplo, para promover congressos, divulgar literatura, prestar relatórios financeiros ou estatísticos, ou fazer campanhas para angariar fundos, seja qual for a finalidade, destrói o verdadeiro espírito da adoração e, portanto, atrapalha o culto. A Igreja precisa de marketing, e deve haver um espaço para isso, mas nunca no púlpito. Isso deve ser feito preferivelmente em reuniões administrativas.

7) O SERMÃO METRALHADORA – É usado para disparar, machucar e ferir. Às vezes a crítica é contra um grupo com idéias opostas, contra administradores da igreja, contra uma pessoa pecadora ou rival ou mesmo contra toda a congregação. Seja qual for o destino, o púlpito não é uma arma para disparar contra ninguém. Às vezes o pregador não tem a coragem cristã de ir pessoalmente falar com um membro faltoso e se protege atrás de um microfone, onde ninguém vai refutá-lo, e dispara contra uma única pessoa, sob o pretexto de "chamar o pecado pelo nome". Resultado: a pessoa fica ferida, todas as outras, famintas, e o sermão não ajuda em nada.
Às vezes o disparo é contra um grupo de adultos ou de jovens supostamente em pecado. Não é essa a maneira de ajudá-los. Convém ressaltar que chamar o pecado pelo nome não é chamar o pecador pelo nome. Chamar o pecado pelo nome significa orar com o pecador e se preciso chorar com ele na luta pela vitória. A congregação passa a semana machucando-se nas batalhas de um mundo pecaminoso e de uma vida difícil e chega ao culto precisando de remédio para as feridas espirituais, não de condenação por estar ferida. Em vez de chumbá-la com uma lista de reprovações e obrigações, o pregador tem o dever santo de oferecer o bálsamo de Gileade, o perdão de Cristo como esperança de restauração. As obrigações, todo mundo conhece. Nenhum cristão desconhece os deveres do evangelho. Em vez de apenas dizer que o cristão tem de ser honesto, por exemplo, mostre-lhe como ser honesto pelo poder de Cristo. Isso é pregação com poder.

Todos esses sermões mencionados acima atrapalham o culto mais do que ajudam. Prejudicam o adorador, prejudicam a adoração. São vazios de poder. Se você quer ser um pregador de poder, busque a Deus, gaste dezenas de horas no estudo da Bíblia antes de pregá-la, experimente o perdão de Cristo e estude os recursos da comunicação que ajudam a chegar ao coração das pessoas.

(fonte: MARINHO, Robson Moura. A Arte de Pregar – A Comunicação na Homilética. São Paulo: VIDA NOVA, 1999. 192 p. 20-23.)