sábado, 22 de outubro de 2011

1 Samuel 28:7-20 – Saul se comunicou com o espírito de Samuel?


Já houve bastante polêmica acerca dos eventos registrados em 1 Samuel 28:7-20. Nesta passagem, o primeiro rei de Israel, Saul, já nos últimos dias da sua vida, pede para uma necromante invocar o espírito de Samuel. Saul quer pedir conselhos de Samuel apesar de Samuel, ainda com vida, ter se recusado a dar mais conselhos. Aparentemente, Samuel aparece e se comunica com Saul, confirmando o que já havia profetizado, que Deus virou contra ele e que deu o reinado dele a outro – Davi.
A polêmica se levantou na interpretação desta passagem em relação à possível comunicação com os mortos. Alguns acreditam que Saul de fato comunicou-se com Samuel. Outros acreditam que não. Dos que acreditam que Saul não se comunicou com Samuel, há quem acredite que Saul foi enganado pela necromante. Outros afirmam que foi um espírito enganador, talvez até um demônio que se comunicou com Saul. Evidentemente, uma das preocupações dos intérpretes é com a possibilidade de reconhecer que a comunicação com os mortos é possível.
Apresentaremos os indícios que nos levam a crer que de fato Saul falou com o espírito do profeta morto Samuel. Em seguida apresentaremos evidências para confirmar esta conclusão. Finalmente, examinaremos a questão das implicações desta interpretação.
As Evidências
a. A evidência da Palavra
A evidência mais convincente de que Saul de fato se comunicou com o profeta morto Samuel é o testemunho da própria Bíblia. Veremos esta evidência com uma análise do próprio texto da passagem. Às vezes os intérpretes esquecem de um dos princípios básicos da interpretação – o exame detalhado do texto. Como resultado, alguns começam a atribuir, sem fundamento, palavras ou conceitos ao texto que jamais existiam na Palavra. Na nossa análise da passagem veremos que um exame objetivo do texto, mesmo em tradução, revelará que de fato Saul se comunicou com o espírito do falecido Samuel.
A passagem começa com Saul movido pelo medo à procura da médium de En-Dor (1 Sam 28:5-10). Os filisteus juntaram um grande exército contra Israel e, no início da passagem em questão Saul começa a perceber que ele vai perder a guerra. Ele pede para a médium ou necromante de En-Dor chamar Samuel (v.11), o profeta já morto (v.3). Samuel havia o guiado antes, mas o deixou depois que ele desobedeceu o Senhor (1 Sam 15:26).
Numa sessão de necromancia digna de um filme de terror, Saul se junta com a mulher quando ela tenta trazer de volta para esta vida o espírito do falecido Samuel. Assustada com a aparição do ser que ela invocou, a mulher grita em alta voz (v. 12).
Quando a mulher descreve o homem que ela vê, Saul entende que é Samuel (vv.12-14). Alguns intérpretes se detêm muito com a percepção de Saul, como se o resto do relato fosse apenas descrever o que Saul entendeu. No entanto, o relato segue no formato do resto do livro de Samuel, dando a entender que o que está sendo contado de fato ocorreu.
Em nenhum momento nos versículos posteriores há qualquer indício de que aquilo que é relatado seja fruto apenas da imaginação de Saul ou que a mulher o enganou. Não há palavras como “entendeu” ou “imaginou” descrevendo o que aconteceu. Em v. 15, por exemplo, quando a passagem relata as primeiras palavras do ser que apareceu, o versículo não diz “Aquele que Saul pensou ser Samuel disse...” ou “Aquele que Saul entendeu ser Samuel falou ...”. A passagem diz “Samuel disse a Saul...”. Estas palavras são as mesmas nas traduções de Almeida Atualizada e Corrigida e na Bíblia de Jerusalém. A NVI apenas muda para “Samuel perguntou a Saul”. Ou seja, as principais traduções em português dão a entender que aquilo que é relatado se baseia em fatos verídicos. Portanto não há evidências no texto que apóiam a interpretação de que Saul se confundiu ou que a necromante o enganou.
Logo em v.12 vemos o primeiro indício de que aquele que apareceu foi de fato Samuel. v.12 - “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz...” Lendo a passagem em português fica evidente que a mulher viu o próprio Samuel. A passagem não diz “A mulher disse que era Samuel” nem “A mulher fez de conta que era Samuel”, mas “Vendo a mulher a Samuel...”. O texto da própria Bíblia dá a entender que o que a mulher viu foi Samuel. Isso fica claro no português da Almeida Revista e Atualizada. Mas, para quem tiver dúvidas ainda, apresentamos em seguida o texto no original em hebraico e na tradução para grego da Septuaginta com interlinear em português:


Em seguida, todos os versículos que tratam do ser que apareceu o chamam de Samuel: v. 15 - “Samuel disse a Saul...”
v.16 - “Então disse Samuel...”
v. 20 - “... Saul ... foi tomado por grande medo por causa das palavras de Samuel...”
Vejamos o texto do início de 1 Samuel 28:15 no original em hebraico e na tradução para grego da Septuaginta com interlinear em português:


Embora seja difícil para alguns aceitarem, é preciso perguntar, quem é que a Bíblia diz que a mulher viu? [Veja v.12.] Quem é que a Bíblia diz que falou com Saul? [Veja vv.s 15 e 16.] A Bíblia diz que Saul foi tomado por grande medo por causa das palavras de quem? [Veja v. 20.] A resposta a todas estas perguntas, segundo a própria Bíblia é Samuel. De acordo com a própria Bíblia a mulher viu Samuel. Segundo a Bíblia, Samuel falou com Saul e foram as palavras de Samuel que Saul ouviu e temeu. Se a Bíblia chama este ser de Samuel, quem tem autoridade superior para negar esta afirmação?
Alguns alegam que aquilo que apareceu foi um espírito maligno ou enganador. Mas, nas Sagradas Escrituras, quando um profeta falso ou espírito maligno ou enganador está atuando, é revelado eventualmente quem aquele espírito representava (Juizes 9:23; 1 Reis 13:18; 22:22-23; 2 Crôn. 18:21-22). Observamos que no caso do evento relatado em 1 Samuel 28 a Bíblia nunca chama aquele que apareceu de um “espírito enganador” ou um “demônio mentiroso”. De fato, a Bíblia sempre chama aquele que apareceu de Samuel.
Podemos debater se seria justo ou lógico Deus permitir Samuel voltar para falar com Saul. Mas, no final, temos que decidir se vamos basear nossas conclusões no nosso raciocínio e lógica, ou naquilo que a própria Bíblia diz. Neste caso, a Bíblia diz que quem apareceu e quem falou foi Samuel. Quem se sente apto para falar contra o que a própria Bíblia diz neste caso?
b. A evidência do testemunho do ser que apareceu.
O ser que apareceu a Saul nunca falou nada contra a Palavra do Senhor. Pelo contrário, o ser simplesmente confirmou tudo que Deus havia profetizado a Saul. Este ser dificilmente poderia ser um espírito enganador, pois só confirmou tudo que a Palavra de Deus nos dissera até aquele ponto. Observamos ainda que o ser que apareceu sabia coisas que eram do conhecimento de Saul e Samuel. Se essas coisas eram sigilosas ou não, ninguém sabe ou pode afirmar. Mas é claro que o conhecimento deste ser é compatível com o que iríamos esperar de Samuel.
c. A evidência da profecia do ser que apareceu.
O ser que apareceu a Saul profetizou que Israel seria derrotado pelos filisteus, e que Saul e seus filhos iriam morrer logo em seguida. Esta profecia acaba se realizando. Em 1 Sam 31 lemos sobre a derrota de Israel pelos filisteus e a morte de Saul e seus filhos. Assim entendemos que este ser sabia não somente relatar coisas do passado de Saul, mas também profetizou com precisão sobre seu futuro.
Alguns pensam que não foi Samuel que falou porque parece que ele errou na sua profecia. O pensamento destas pessoas é de que quando o ser disse “amanhã ... estareis comigo” (v.19) ele errou. Parece que demorou mais de um dia para Saul e seus filhos serem mortos.
Primeiro, é preciso saber que a palavra “amanhã” no grego da LXX é aurion que pode ser literalmente “no dia seguinte” (Num 16:16; At. 23:20). Mas, esta palavra pode também significar “logo” (Mat 6:30; 1 Cor 15:32) ou algum tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut 6:20). O mesmo se vê no hebraico, que usa a palavra machar, que pode significar literalmente “amanhã” (Num, 16:16), ou um tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut. 6:20). Sabendo isto, uma interpretação possível do que o ser disse é, como traduzido por várias versões, “amanhã tu e teus filhos estareis comigo...”. Porém, uma outra tradução ainda perfeitamente aceitável do mesmo versículo seria “logo tu e teus filhos estareis comigo”. Dentro do contexto, tanto no grego como no hebraico, uma tradução que dá a entender que Saul e seus filhos morreriam “em breve” é totalmente aceitável.
Segundo, é importante lembrar que o que acontece logo em seguida (caps. 29-30) não aconteceu necessariamente em ordem cronológica após os eventos de Cap. 28. 1 Crôn. 10 fala da morte de Saul (que ocorre em 1 Sam 31). Mais adiante o mesmo livro, 1 Crôn. 12:19-20, fala dos eventos que ocorreram antes da morte de Saul, em 1 Sam 29. Isto não significa que as duas histórias estão em contradição, mas simplesmente que os historiadores não se sentiram obrigados a relatar as coisas precisamente em uma seqüência cronológica.
Um exemplo desta prática se vê na história da fuga da família de Jesus para o Egito. Em Mat 2:15 lemos sobre Herodes morrendo. Em v. 16, imediatamente em seguida, ele está vivo ainda. Na primeira seqüência o foco da história é a família de Jesus. Na segunda seqüência, o foco é Herodes e sua reação. Embora no relato de Mateus uma história segue outra, as duas histórias tratam de eventos que aconteceram ao mesmo tempo, embora em lugares distintos. É bem provável que este é o caso das histórias de 1 Sam 28 e 29. Uma história focaliza a vida de Saul, outra a vida de Davi, mas não necessariamente em ordem cronológica.
Uma seqüência que demonstra a mesma técnica pode ser encontrada no Evangelho de Lucas 3:19-20, onde Lucas conta sobre Herodes colocando João Batista na prisão. Mas, em seguida, Lucas relata o batismo de Jesus, que, segundo os outros Evangelhos, foi realizado por João Batista antes da sua prisão (Mt 3:13; Mc 1:9). No Evangelho de Marcos 6:17-29 lemos sobre a prisão de João bastante depois que realmente aconteceu, quando Herodes começa a ouvir falar de Jesus e teme que ele seja João ressuscitado. Em ambos os casos, um relato histórico acontece ou antes de outros eventos que seguiu, ou muito tempo depois. Isto não significa que os Evangelhos estão confusos, apenas que os autores nem sempre relataram um evento em sua seqüência cronológica.
Concluímos, portanto que o que este ser falou a Saul acabou acontecendo como profetizado. Isto também seria compatível com o papel de Samuel como profeta. Isto também seria conhecimento privilegiado e que apenas alguém com poderes sobrenaturais poderia profetizar.
Outra alegação de que a profecia do ser que falou a Saul não foi cumprida é baseada no fato de que um dos filhos de Saul, Is-Bosete não foi morto (2 Sam 2:10). A única coisa que temos a dizer sobre isto é que o ser que falou a Saul não disse que todos seus filhos iriam morrer. Ele apenas falou “tu e teus filhos” (1 Sam 28:19). Na verdade, todos os filhos de Saul que estavam lutando com ele naqueles dias morreram. Seria a respeito destes filhos que o ser estaria se referindo. Embora a passagem nem confirme nem contrarie, é bem possível que os outros filhos de Saul que morreram com ele estavam junto ao seu pai quando ele recebeu aquelas palavras de Samuel. Se este foi o caso, que seria perfeitamente natural, então Samuel estaria se referindo aos filhos que acompanharam Saul. Exatamente como profetizado, todos eles morreram.
d. A evidência de outras traduções e textos antigos
A frase de 1 Sam 28:15(a) transmite o mesmo sentido no Latim: “dixit autem Samuhel ad Saul quare inquietasti me ut suscitarer” Disse, pois, Samuel a Saul: Por que me inquietaste para subir/suscitar…?
Na Septuaginta (LXX), a tradução em grego do AT, o texto que resume a condenação de Saul em 1 Crôn. 10:13 diz “Por isso Saul morreu pelas suas transgressões cometidas contra o Senhor, contra a Palavra do Senhor, que ele não guardara, porque interrogara e consultara uma necromante, e Samuel o profeta o respondeu. ” (kai apekrinato autw Samouhl o profhthv)
O livro apócrifo Eclesiástico, incluído nas traduções Católicas, afirma “Depois disto, Samuel morreu e apareceu ao rei, predisse-lhe o fim da sua vida, e levantou a sua voz de debaixo da terra, profetizando, para destruir a impiedade do povo.” (Eclesiástico 46:23) (conhecido também como Sirach ou Sabedoria de Sirach 46:20)
e. Os dicionários de grego e hebraico mais atuais confirmam a comunicação com Samuel.
“… uma ocorrência da necromancia se menciona na história da visita que Saul fez à médium em En-Dor. A história da médium em En-Dor que fez subir o espírito de Samuel não lança dúvidas sobre a realidade daquilo que aconteceu, mas claramente condena a aventura.” (Colin Brown, artigo “Magia, Feitiçaria, Magos” em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1978, tradução Gordon Chown, Vol. III, p. 110.)
“ A palavra 'ôb refere-se claramente àqueles que consultavam espíritos, visto que 1 Samuel 28 descreve uma destas pessoas em ação. A famosa 'pitonisa de En-Dor era uma 'ôb. Embora Saul tivesse proibido 'feiticeiras' e 'mágicos' ele consultou um deles. Disfarçando-se, pediu que a 'médium' trouxesse Samuel dentre os mortos. Ela foi bem sucedida e, embora ele tenha-se queixado de ter sido perturbado, anunciou a Saul as más notícias…" (Robert L. Alden Artigo bAa ('ôb) “alguém que tem um espírito familiar” em Harris, R. Laird, Gleason L. Archer Jr. e Bruck K. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1998, p. 24. Veja também Schökel, Luis Alonso Dicionário Bíblico Hebraico-Português São Paulo: Edições Paulus, 1991, p. 32.)
Embora nenhuma obra de interpretação secundária como dicionários ou comentários possam servir para nos dar a palavra final, devemos respeitar a experiência de peritos e estudiosos e considerar com todo respeito as suas conclusões. Quando obras como estas citadas concordam com todas as outras evidências apresentadas, principalmente da própria Palavra, temos motivos o suficiente para concluir que uma interpretação está com uma base confiável.
Conclusão Preliminar
O texto de 1 Samuel 28:7-20 nos leva a concluir com segurança que o espírito do falecido profeta Samuel de fato se comunicou com Saul em En-Dor. Podemos não compreender como Deus deixaria algo desta natureza ocorrer. Podemos estranhar tudo que ocorreu no evento em si e as implicações deste evento diante das proibições da Palavra em relação à comunicação com os mortos. Mas, a nossa interpretação da Palavra de Deus tem que se basear não naquilo que nós entendemos como lógico ou aceitável para nós, mas, naquilo que a própria Palavra diz. A chave para a interpretação tem que permanecer no texto em si e não na nossa lógica ou entendimento.
Em Parte II iremos examinar as implicações deste texto. É preciso refletir sobre os eventos relatados neste texto e mandamentos e proibições no resto da Bíblia. Se uma passagem descreve algo que outras passagens condenam, será que aquilo que é descrito serve para justificar a prática? Se de fato Saul se comunicou com Samuel podemos concluir que a comunicação com os mortos é permitida? Ou, será que Deus fez algo extraordinário naquela situação por causa dos propósitos insondáveis dEle e que não cabe a nós questionar Sua soberania? Examinaremos estas e outras dúvidas em Parte II deste estudo. Que Deus guie e guarde a todos na sua busca de conhecer e seguir a Palavra e a perfeita vontade do Senhor.

Algumas Dúvidas
a. Deus permitiria um profeta como Samuel participar numa prática condenada?
Algumas pessoas raciocinam que o espírito morto de Samuel não poderia ter falado com Saul por causa da proibição por Deus de tal prática. O raciocínio destas pessoas é de que Deus não permitiria um servo tão fiel como Samuel participar numa prática condenada por Ele. Já demonstramos que Deus condena a prática da comunicação com os mortos. Concordamos que não faz sentido Deus permitir um servo dEle participar em algo condenado. Achamos, contudo, necessário lembrarmos duas coisas.
(1.) Não devemos tentar limitar Deus pelo nosso raciocínio. Deus não age sempre conforme nossas expectativas. A própria Palavra de Deus nos mostra que há muitas coisas que Deus faz cujo sentido ou explicação não nos é revelado e não cabe a nós saber (Deut 29:29). Também, a Bíblia afirma que Deus faz coisas que não temos condições de compreender (Jó 5:9; Isa 5:8,9). Por este motivo devemos ter muita cautela em tentar vincular o que vamos aceitar Deus fazendo com o que é lógico ou que segue nosso raciocínio humano. Não cabe a nós ditar a Deus o que Ele pode ou não pode fazer. Nossa mente, mesmo iluminada pela presença do Espírito Santo, é capaz de errar na sua lógica. Eis a razão pela qual Deus nos deu sua Palavra para confirmar as coisas para nós.
(2.) Há muitos exemplos na Bíblia de quando Deus permitiu uma pessoa cometer um pecado e ainda usou aquela pessoa. Isto não significa que Deus é contraditório ou que ele aprova o pecado. Isto apenas significa que Deus é soberano e mesmo quando alguém pecar, ele ainda pode realizar sua vontade.
Alguns exemplos são:
• A mentira é proibida como pecado pela Palavra de Deus (Ex. 23:1). Várias pessoas nos relatos da Bíblia mentiram, mas até suas mentiras permitiram a realização da vontade de Deus. Abraão (Gen. 20:2), Jacó (Gen. 27:18-19) e Raabe (Jos 2:1-7) mentiram, mas Deus ainda realizou sua soberana vontade através deles. Todos estes três são contados entre os antepassados de Jesus (Mat 1:1, 2, 5) e entre os colunas da fé Cristã (Heb 11: 8, 17, 21, 31). Não estamos dizendo, como alguns alegam, que Deus os abençoou por causa das suas mentiras. Estamos dizendo que Deus os abençoou apesar das suas mentiras. Nem por causa de um pecado condenado, Deus deixou de usá-los para realizar sua vontade.
• O adultério é proibido por Deus (Ex. 20:14) e a sentença era morte para ambos achados no caso de adultério (Lev 20:10). Davi cometeu adultério com Bate-Seba (2 Sam 11:2-5). O filho da sua relação morreu, mas o segundo filho que eles tiveram foi Salomão (2 Sam 12:24), um dos homens mais sábios de toda a história. Nem Davi, nem Bate-Seba foram mortos pelo seu pecado, e o filho deles veio a ser um dos maiores reis de Israel e aquele que construiu o templo do Senhor em Jerusalém.
• Davi também cometeu outro pecado quando matou o marido de Bate-Seba, Urias (2 Sam 11:14-17; 12:9). Matar era proibido por Deus (Ex. 20:13) e a sentença também era morte (Ex. 21:14). Deus não matou Davi por causa daquilo que ele fez, embora seu pecado tenha sido tão terrível como trair e matar um homem bom e justo como Urias. Apesar de tudo isto, Deus ainda continuou abençoando Davi como rei de Israel. Seu pecado teve conseqüências, mas Davi continuou sendo elogiado por Deus como “homem segundo o meu coração” (Atos 13:22), até os dias de Jesus. A Bíblia indica que, apesar dos seus graves pecados, Davi continua até hoje a ser um homem que seguia a vontade de Deus. Apesar dos seus pecados, Deus usou Davi para realizar sua vontade. Lembramos também que Davi foi um dos mais ilustres antepassados de Jesus.
Mais uma vez, não queremos insinuar que Deus aprova o pecado. Mas, é evidente que Deus pode permitir algo que vai contra a vontade dEle, ou que transgride os mandamentos dEle, e ainda realizar sua vontade através daquela pessoa ou aquela situação. Por isso devemos ter cautela em declarar que Deus jamais permitiria um servo dEle fazer esta coisa ou aquela outra. Embora a procura pela comunicação com os mortos é expressamente condenado na Palavra de Deus, isto não impede que Deus use uma situação onde houve comunicação com os mortos para realizar a vontade dEle.
b. Será que quando Saul morreu ele foi para o mesmo lugar de Samuel?
Algumas pessoas questionam a afirmação daquele que falou com Saul quando ele disse “amanhã, tu e teus filhos estareis comigo...”. Estas pessoas acham difícil acreditar que Saul, que evidentemente morreu em pecado (uma vez que, além de toda sua rebelião, ele se suicidou), poderia ir, depois de morrer, para o mesmo lugar de Samuel.
Primeiramente, precisamos observar que quando aquele que falou disse “tu e teus filhos estareis comigo” o ponto dele não era a ida de Saul para um lugar geográfico, mas para uma condição ou estado - a própria morte. Se presumimos que aquele que falou foi de fato Samuel, o que ele quis dizer não era que Saul iria para o mesmo lugar onde ele estava, mas para o mesmo estado. Ele estava usando uma expressão, um eufemismo, que significava a morte. Com uma certa freqüência a Bíblia fala da condição da morte em termos de um determinado lugar. A palavra hebraica mais comum para isso era “sheol”. As seguintes passagens se referem a um lugar “sepultura,” “cova,” quando de fato está se referindo a uma condição - a morte.
“...Chorando, descerei a meu filho até à sepultura (sheol)....” Gen 37:35
“O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura (sheol) e faz subir.” 1 Sam 2:6
“Que homem há que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro (sheol)?” Sl 89:48
“A sua casa é caminho para a sepultura (sheol) e desce para as câmaras da morte.” Pr 7:27
“Porquanto dizes: ‘Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos acordo...” Is 28:15
Todas estes versículos (e muitos outros) vinculam um lugar (sheol), com uma condição, a morte. Ou seja, quando a Bíblia fala em alguém indo para sheol, fala da pessoa indo para sua morte. Presumindo que foi Samuel quem falou, ele estaria simplesmente usando uma expressão figurativa para dizer que Saul ia morrer. Se ele (Samuel) estava em Sheol (ou seja, morto, “na sepultura”) ele poderia dizer verdadeiramente que Saul iria para o mesmo lugar ( o túmulo, a sepultura, ou seja, a morte.)
Jó afirmou que ia para o mesmo “lugar” que todos os mortos “Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente.” (Jó 30:23) Segundo esta passagem há um só lugar para o qual todos os seres vivos estão destinados, “a casa destinada a todo vivente.” De certa forma, todos os homens têm o mesmo destino - o além, o outro lado da vida, a morte. Neste sentido sim, com certeza, Saul foi para o mesmo lugar que Samuel.
c. Algumas pessoas alegam que Deus não teria respondido a Saul pelo profeta Samuel.
Devemos notar que em Eze 14:1-11 Deus promete que, embora um homem esteja voltado no seu coração para a idolatria, Deus poderá responder a ele quando ele consultar o profeta. Mas, a resposta de Deus terá como finalidade justamente a destruição deste homem.
Conclusão
Vale a pena uma observação final. Se aquele que falou com Saul foi de fato Samuel, mas alguém hoje em dia diz que foi o demônio, esta pessoa hoje pode estar cometendo um grave pecado diante do Senhor. Em Mateus 12:22-32 Jesus pronuncia uma das condenações mais severas de toda a Bíblia sobre aqueles que chamam uma obra do Senhor uma obra do demônio. Jesus condenou tal erro como “blasfêmia contra o Espírito Santo”. Não cabe a nós julgar ninguém quanto a este assunto. Apenas entendemos necessário alertar todos para a possibilidade de estarem falando mal de um homem de Deus quando faz profecia que se cumpre e quando a própria Bíblia diz que ele era mesmo o profeta Samuel.
A Bíblia condena claramente a comunicação com os mortos:
Lv 19:31 - “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles: Eu sou o Senhor vosso Deus.”
Lv 20:6 - “Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e o eliminarei do meio do seu povo.”
Lv 20:27 - “O homem ou a mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.”
Dt 18:9-12,14 - “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor...”
Is 8:19 - “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?”
A comunicação com os mortos é possível? Tudo que vimos no episódio de necromancia envolvendo Samuel e Saul nos leva a crer que é. Contudo, devemos ressaltar a proibição divina contra esta prática. Ainda lembramos que o evento em que Saul participou de modo algum pode ser usado como autorização para comunicação com os mortos, uma vez que a mesma Palavra que relata este evento condena claramente o que Saul fez:
1 Cr 10:13 - “Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante.”
Deus proibiu de forma categórica e clara a prática da comunicação com os mortos, embora haja evidência na Bíblia de que tal prática é possível. Se uma pessoa hoje em dia quer ignorar tal condenação e proibição, aquela pessoa tem esta liberdade. Ela pode até conseguir a façanha da comunicação com o além túmulo. Mas, um dia ela terá que responder a Deus pelas suas ações. A evidência da Bíblia indica que ela receberá a mesma resposta que Deus deu a Saul. “Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante.” – 1 Cr 10:13.
A morte de Saul ao qual 1 Cr 10:13 se refere foi a morte física. Morrer a morte física já é bastante triste. Mas, há uma morte pior. A pessoa que desobedeça clara proibição do Senhor, buscando a comunicação com os mortos apesar das condenações na Palavra de Deus, tem outra morte à sua espera, a segunda morte. “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” – Apocalipse 21:8
Esta segunda morte espera todos que desobedeçam a Deus, inclusive, como menciona Apoc 21:8, os feiticeiros. Dificilmente a maioria das pessoas que praticam a comunicação com os mortos iriam se considerar como feiticeiros. Esse termo hoje traz a idéia de magia negra, encantamentos e maldições. Mas, precisamos entender os termos bíblicos no seu sentido original, e não no sentido que as traduções modernas às vezes reproduzem.
A palavra traduzida “feiticeiros” no grego original foi a palavra “pharmakos”. No período em que o livro de Apocalipse foi escrito, o termo original, pharmakos, se aplicava a todo tipo de magia e feitiçaria, inclusive a comunicação com os espíritos. Segundo O Dicionário Internacional de Teologia do NT, no artigo sobre magia e feitiçaria “atestam-se numerosas formas de magia no mundo greco-romano. … A evocação dos espíritos dos mortos já ocorre em Homero, Od. 11, e os necromantes eram reconhecidos como uma classe de mágicos.” (C. Brown, artigo “Magia, Feitiçaria, Magos” em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1978, tradução Gordon Chown, Vol. III, p. 109.)
Referente ao termos pharmakos, o dicionário explica que, no trabalho destas pessoas “tem havido uma tradição mágica de ervas colhidas e preparadas para encantos, e também para encorajarem a presença de espíritos em cerimônias de magia.” (J. Stafford Wright, artigo “Magia, Feitiçaria, Magos” em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vol. III, p. 114) A palavra pharmakos, embora traduzida “feiticeiros” nas traduções em português, se referia no grego original também àqueles que se comunicavam com os espíritos. Como o livro de Apocalipse alerta, estas pessoas enfrentarão a segunda morte, que é a condenação eterna da alma.
Embora houve pelo menos um exemplo na Bíblia de busca e verdadeira comunicação com os mortos, no caso de Saul e Samuel em En-Dor, este episódio jamais deve servir como exemplo, a não ser daquilo que devemos evitar. As condenações e proibições da Palavra quanto à comunicação com os mortos são suficientemente claras a não deixarem dúvidas. Que todos possam dar ouvidos às alertas da Palavra de Deus e voltar a ouvir e seguir a orientação do único espírito que devemos atender – O Espírito Santo de Deus. “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 João 4:6). Que Deus possa dar ouvidos a todos e que todos possam atender e seguir as palavras dEle

Artigo produzido por: Dennis Downing
Disponível em: http://www.hermeneutica.com/estudos/1samuel28-01.html

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SANTIFICAÇÃO



Levítico 19:2 – “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR vosso Deus, sou santo.”
1 Pedro 1:15 –“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;”

Santificação é uma obra progressiva da parte de Deus e do homem que nos torna cada vez mais livres do pecado e semelhantes a Cristo em nossa vida presente. (Wayne Gruden)
Mateus 5:48 – “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”
1 Coríntios 6:11 – “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.”
2 Coríntios 7:1 – “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”
1Tessalonissenses 5:23 – “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”
1 Pedro 1:15 – “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;”

A santificação preocupa-se com a poluição do pecado. A santificação dá poder para pensar, querer e andar de modo a glorificar a Deus. Santificação significa ser capacitado a viver conforme o agrado de Deus. (Anthony Hoekema)

A palavra usada no Antigo Testamento para referir-se ao que é santo é quadosh que significa “separar-se das outras coisas”, isto é, colocar alguém numa esfera ou categoria separada do que é comum ou profano. O povo de Deus é separado para o serviço d’Ele e deve evitar qualquer coisa que o desagrade.

O Novo Testamento a palavra utilizada para santo é hagios, que significa duas coisas: 1) separação da prática do pecado deste presente mundo. 2) consagração ao serviço. Ser espiritualmente separado de todo o pecado e totalmente dedicado a Deus.

1 João 3:9 – “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.”

Uma vez nascidos de novo não podemos continuar pecando como um hábito ou um padrão de vida. Essa mudança moral é o primeiro estágio da santificação. Esse passo inicial envolve uma ruptura com o poder do pecado, bem como o amor ao pecado.
Romanos 6:11-14 – “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.”
Romanos 6:18 – “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.”

Por meio do Espírito Santo atuando em nós, temos poder para superar as tentações e seduções do pecado. Não devemos deixar o pecado nos dominar e assim como usávamos o nosso corpo para o pecado, devemos usar ele, cada vez mais, para a santificação.
2 Coríntios 3:18 – “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”

Nossa santificação só será perfeita quando o Senhor nos ressuscitar.
Filipenses 3:21 – “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.”
1 Coríntios 15:49 – “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”

Um crente que faz muito pouco uso dos meios de santificação, recebeu um mau discipulado, não tem boa comunhão cristã, presta pouca atenção à Palavra de Deus e a oração. Esse irá passar muitos anos com poucos avanços na santificação. Todos pecamos e não estamos isentos de errar, isso é o que diz a Bíblia:
Eclesiastes 7:20 – “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.”
Tiago 3:2 – “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.”
1 João 1:8 – “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.”

Entretanto, não podemos deixar esses erros reinarem em nossas vidas. Cristo não só nos trouxe a santificação, ele é a nossa santificação.
1 Coríntios 1:30 – “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;”

Se somos um com Cristo, estamos sendo santificados e esta única maneira de sermos santificados. Calvino disse: “Enquanto Cristo permanecer fora de nós e nós estivermos separados d’Ele, tudo o que Ele sofreu e fez pela salvação da raça humana permanece inútil e sem valor para nós.”

O padrão da santificação é a semelhança com Deus. O Senhor criou o homem a sua imagem e semelhança, contudo, a queda tornou a imagem de Deus pervertida na humanidade. No processo da redenção, particularmente, na regeneração e santificação, essa imagem está sendo renovada.

Hebreus 12:14 – “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”

AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

Abandonado por Deus (Guerra pela Verdade) John MacArthur

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

JUSTIFICAÇÃO


Romanos 4:25 – “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.”
5:18 – “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.”
10:4 – “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.”

A justificação é um ato judicial de Deus no qual ele declara com base na justiça de Jesus Cristo que todas as reivindicações da lei estão satisfeitas com vistas ao pecador. (Loius Berkfof)
A justificação pode ser definida como um ato gracioso e judicial de Deus pelo qual ele declara justos pecadores crentes, na base da justiça de Cristo, que lhes é creditada, perdoando seus pecados, adotando-os como filhos e dando-lhes direito à vida eterna. (Anthony Hoekema)
A base para a nossa justificação é a obra expiatória de Jesus Cristo. É tudo o que ele fez por nós, ao sofrer a punição que nossos pecados mereciam e cumprindo perfeitamente a lei em nosso lugar. A perfeita justiça imputada ou creditada a nós quando, por meio da fé, nos tornamos um em Cristo é a base adequada da nossa justificação.

Quando falamos em justificação surgem basicamente duas palavras: REDENÇÃO e EXPIAÇÃO.

Apolytrosis – significa redenção no grego. Na época bíblica redenção significava o processo de comprar de volta um escravo para dar-lhe a liberdade por meio do pagamento de uma remissão. Jesus nos redimiu, nos resgatou do pecado que leva à morte, à perdição eterna, para uma vida em liberdade, uma vida íntegra e reta na sua presença.

Hilasterion – significa propiciação. Propiciação é o cancelamento do pecado. Através da obra de Jesus Cristo podemos ter todos os nossos pecados cancelados. 1 João 4:10 – “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.”

Entendemos então que justificação significa a imputação da justiça de Cristo ao pecador crente, totalmente à parte de suas obras, isto é, é baseada no sofrimento e na obediência de Cristo. É preciso que tenhamos consciência que somos pecadores e merecedores da ira divina, contudo, mediante o amor de Deus nos é imputada a justiça de Cristo.
IMPUTAÇÃO – é um termo legal ou judicial que significa computar na conta de outro. 2 Coríntios 5:21 – “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.”

O ato gracioso da justificação implica que a pessoa pratica um ato contrário a lei, contudo, existe uma circunstância que exclui a punibilidade de punição. Assim devemos entender a justificação de Deus. Somos culpados por termos pecado, transgredido contra sua lei, entretanto, Jesus Cristo é a causa que exclui a possibilidade de punição.
Gálatas 3:13 – “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”

“Nosso mui misericordioso Pai, vendo-nos oprimidos e sobrecarregados e presos sob a maldição da lei, e que jamais poderíamos ser libertos dela pelo nosso próprio poder, enviou seu Filho ao mundo e lançou sobre ele todos os pecados de todos os homens – isto é, seja Pedro, o negador; seja Paulo, o perseguidor, o blasfemo e o opressor cruel; seja Davi, o adúltero; seja o pecador que comeu do fruto proibido no Paraíso; seja o ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus; e seja qualquer pessoa que tenha cometido pecado de todo homem – ele pagou e expiou por eles.” ( Martinho Lutero, Commentary on St. Paul’s Epistle to the Galatians, pg 274)

Somos justificados pela fé: Romanos 5:1 – “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;” Atos 13:39 – “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.” Gálatas 2:16 – “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”

A justificação de um pecador é um ata abrangente de Deus, todos os pecados são perdoados quando a pessoa é justificada. A soma total dos seus pecados, tudo que está ante aos olhos de Deus é apagado ou coberto. Não há repetição de justificação na mente divina.
Salmo 103:8-12 – “Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.”
Miquéias 7:18-19 – “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniqüidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.”
E como ficam nossos pecados futuros?
Mateus 6:14 – “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” 1 João 1:9 – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” 2:1-2 – “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”
Não pode haver justificação sem santificação
1 Coríntios 1:30 – “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” 1 Coríntios 6:11 – “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.”

“A justificação remove a culpa do pecado, enquanto a santificação remove a poluição do pecado e habilita o crescimento na semelhança de Cristo. A justificação acontece fora do homem e é uma declaração feita por Deus sobre o estado judicial desse homem. A santificação, no entanto, ocorre no interior do crente e renova progressivamente sua natureza. A justificação acontece de uma vez por todas, não sendo um processo nem um evento que se repete. A santificação, porém, é geralmente entendida como um processo contínuo ao longo da vida que nãos se completa senão quando termina a vida terrena. ( Salvos pela Graça, Anthony Hoekema, pg. 177)

AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

sábado, 8 de outubro de 2011

REGENERAÇÃO BÍBLICA



A Bíblia fala em regeneração como o início de uma nova vida espiritual, essa vida é implantada em nós pelo Espírito Santo habilitando-nos ao arrependimento e à fé. È obra pela qual o espírito Santo leva as pessoas à viva união com Cristo, transformando o coração delas para que aquelas que estão espiritualmente mortas tornem-se espiritualmente vivas.
Por que necessitamos de regeneração? 1 Coríntios 2:14 – “ Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”

Por causa da depravação total do homem, assim somente através do Espírito Santo podemos ser restaurados. Jeremias 13:23 – “pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal.” Deuteronômio 30:6 – “Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas.”

O coração é o cerne íntimo da pessoa e a Bíblia nos ensina que Deus nos limpa interiormente antes que verdadeiramente o possamos amar. Jeremias 31:33 – “Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” Ezequiel 36:26 – “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.”

O Novo Testamento também segue essa linha de pensamento. João 1:12-13 – “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.” Tito 3:5 – “não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo”

A expressão “renovador do Espírito Santo” nos diz que a regeneração envolve não só a purificação dos pecados, mas também uma renovação que é efetuada em nós pelo Espírito e que continua no processo de santificação. Uma pessoa regenerada não pode viver na prática do pecado. 1 João 3:9 – “Aquele que é nascido de Deus vive na prática do pecado; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus.”

Aprendemos com este versículo que aquele que foi regenerado não continua a viver em pecado. A expressão “viver na prática do pecado”, é traduzido de hamartian ou poiei; o tempo presente do verbo indica ação contínua. O significado é: “não prossegue em fazer e a ter prazer no pecado, com completo abandono”. “Não pode viver pecando” é tradução de ou dynatai hamartanein; o verbo pecar é outra vez usado no tempo presente. João quer dizer que a pessoa regenerada não pode continuar pecando com prazer, isto é, não pode viver em pecado. O crente pode cair em pecado, mas, não pode andar nele. ( Salvos pela Graça. Anthony Hoekema, pág. 105)

A regeneração envolve uma mudança radical. A palavra radical vem da palavra latina “raiz” (radix) o que implica que a regeneração é uma mudança na raiz da nossa natureza.

A regeneração é o ato de Deus pelo qual o princípio da nova vida é implantado no homem e a disposição da alma se faz santa.

AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CONVERSÃO BÍBLICA



Conversão pode ser definida como um ato consciente e voluntário de uma pessoa regenerada que volta-se para Deus em arrependimento e fé. Isso envolve um duplo desvio: para longe do pecado e para próximo de Deus. Para haver uma genuína conversão deve acontecer:

1) A iluminação da mente pela qual o pecado é conhecido como ele é, na realidade um comportamento que desagrada a Deus. Romanos 6:23 – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.”

2) Autêntica tristeza pelo pecado, não apenas remorso por causa dos seus resultados amargos. Salmo 38:18 – “Confesso a minha iniqüidade; entristeço-me por causa do meu pecado.” 2Coríntios 7:10 – “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte.”

3) Humilde confissão do pecado, tanto para com Deus como em relação aos outros que foram feridos pelos erros cometidos. Salmo 32:5 – “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado.”

4) Ódio pelo pecado, incluindo a decisão de fugir dele. Salmo 45:7 – “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.” 1 Coríntios 6:18 – “Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” 1 Timóteo 6:11 – “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.”

5) Retorno a Deus como gracioso Pai em Cristo, com fé de que ele pode perdoar os nossos pecados e faz isso. Jeremias 5:1 –“Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai- vos, e buscai pelas suas praças a ver se podeis achar um homem, se há alguém que pratique a justiça, que busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela.”

6) Alegria de coração em Deus por meio de Cristo. Salmo 100:2 –“Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico.” 1 Pedro 1:8 – “a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória”

7) Amor genuíno por Deus e pelos outros juntamente com o prazer no serviço de Deus. Salmo 119:77 –“Venham sobre mim as tuas ternas misericórdias, para que eu viva, pois a tua lei é o meu deleite.” 1 Coríntios 15:58 –“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”

TIPOS DE CONVERSÃO

1) Conversão verdadeira – pode ocorrer somente uma vez na vida da pessoa. A conversão de Saulo em Atos 19:1-19

2) Conversão temporária – conversões que não são genuínas e sim aparentes. É a Falsa conversão. Mateus 13:20-21 –“ E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” 1 João 2:19 –“Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.”

3) Segunda conversão – conversão repetida, uma pessoa convertida depois de uma queda retorna a Deus como Davi e Pedro. Strong chama isso de rompimento e volta.

AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

ARREPENDIMENTO BÍBLICO


Arrependimento é um abandono consciente por parte da pessoa regenerada do pecado e uma volta para Deus numa completa mudança de vida. Significa não só um afastamento das más obras, mas também, a tomada de uma nova direção.

Vamos destacar dois tipos de arrependimento:

1) ARREPENDIMENTO DE PEDRO: resultou em perdão – Mateus 26:75: “E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente” e restauração – João 21:15-17: “Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu- lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeirinhos. Tornou a perguntar-lhe: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Pastoreia as minhas ovelhas. Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: Amas- me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.”
2) ARREPENDIMENTO DE JUDAS: embora Judas tivesse a consciência do que ele havia feito era errado, não há evidências de que ele tenha confessado seu pecado e rogado por perdão ao Senhor. Mateus 27:3-5: “Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo. E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se.”

PALAVRA ARREPENDIMENTO – do grego metanóia, que significa reflexão tardia, mudança de mente. Envolve tanto um afastamento do pecado quanto uma volta para Deus. Essa palavra tem um rico significado, pois é a combinação de meta e noia. Meta significa com, depois ou além, aponta para a mudança que se segue. Nous significa mente, atitude, maneira de pensar, disposição, caráter ou consciência moral. Literalmente Metanoia significa uma mudança de mente ou coração. Envolve muito mais que uma tristeza pelo pecado, envolve uma mudança intelectual da pessoa toda e toda sua visão da vida. ( Salvos pela Graça, Anthony Hoekema. Pag. 129) Mateus 4:17: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.”

A palavra arrependimento também pode ser expressa através do verbo, metalomai, que significa lamentar, sentir. Realça a tristeza pelo pecado cometido produzindo uma mudança de pensamento, sentimento e vontade. Significa não só o afastamento das más obras, mas também, a tomada de uma nova direção João Batista disse: “Produzi pois frutos dignos de arrependimento.” (Dicionário de Vine, pag. 415) Mateus 3:8.

Segundo Willian Chamberlain arrependimento é quando se olha a frente em esperança e antecipação, enquanto lástima ou remorso só olham para trás com vergonha. Arrependimento não só expressa mudança de conduta, mas lida primariamente com os aspectos do nascedouro de nossas ações e da fonte dos nossos motivos.

Quem precisa arrepender-se? Por quê? Qual a importância do arrependimento? Todos nós precisamos nos arrepender. Devemos ter a consciência de nossa condição antes de conhecermos a Cristo.
Salmo 14:1-3 – “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem. O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.”
Eclesiastes 7:20 – “Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.”

Isaias 53:6 – “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.”

Romanos 3:10-12 – “como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem”

Efésios 2:1 – “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”

Somente através do arrependimento é que podemos chegar até Deus. O arrependimento é tão importante que o Novo Testamento praticamente inicia e termina com exortação ao arrependimento. A primeira e a última mensagem exortativas são da necessidade de arrependimento.

Mateus 3:2 – “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”

Apocalipse 3:19 – “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.”

João Batista iniciou seu ministério chamando as pessoas ao arrependimento e Jesus da mesma forma. Mateus 4:17 – “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.”

Em todo seu ministério Jesus pregou mudanças de postura e atitudes que aproximariam o homem de Deus. Após ressuscitar e aparecer aos discípulos Jesus abre a mente deles a respeito das Escrituras e o que deveria ser feito.
Lucas 24:46-47 – “e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.
2 Pedro 3:9 – “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”

Atos 17:30 –“Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;”

E foi o que os discípulos de Jesus fizeram:

Pedro em Atos 3:38 – “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.”

Paulo em Atos 26:20 – “antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e depois em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.”

O verdadeiro arrependimento pode ser dividido em partes para melhor compreensão:

1) Um aspecto intelectual – o verdadeiro arrependimento envolve, primeiro, o conhecimento da santidade e da majestade de Deus. O arrependimento tem que incluir o reconhecimento dos próprios pecados e da culpa como transgressão à Lei de Deus e a violação de sua vontade para a nossa vida. Isaias 6:5

2) Um aspecto emocional – é preciso haver uma tristeza do pecado em si, porque amamos a Deus e estamos sentidos por havê-lo desagradado

3) Uma atitude – tem que haver um desvio interior para longe do pecado e uma busca do perdão. Deve haver um nós uma mudança de propósito e motivação. A mudança interior precisa ser mostrada exteriormente e resultar em uma vida mudada.

Arrependa-se peça perdão a Deus e reconcilie-se com o Todo-Poderoso. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9.

Se você não sabe como pedir perdão a Deus diga assim: Senhor Jesus reconheço os meus pecados, sei que tens poder para me perdoar, então te peço que remova toda a minha culpa, pois o Senhor é o único e suficiente Salvador da minha vida. Amém!

AUTOR: Sérgio Henrique Zilochi Soares

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O VALE DE OSSOS SECOS



EZEQUIEL 37: 1-14 – Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor DEUS, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR.

O texto lido nos fala sobre o Vale de Ossos Secos. Mas, o que seria vale? Quando passamos por dificuldades, geralmente, falamos que estamos passando pelo vale. Porém, o que seria vale de ossos secos?
Geralmente, encontramos ossos em cemitérios. Deus neste momento compara a comunidade de Israel a um grande cemitério. Compara se povo como pessoas mortas em que os seus ossos já estão até secos.
Encontramos um povo que para Deus estava morto em virtude de sua idolatria. Nessa época os judeus estavam no exílio.
Hoje Deus enxerga a humanidade da mesma forma. O Apóstolo Paulo afirma em Efésios 2:1 que nos estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. O que Paulo menciona aqui é que em virtude dos nossos pecados estamos mortos espiritualmente e, conseqüentemente, longe de Deus. Romanos 6:23 – O salário do pecado é a morte.
Poderíamos assim dizer que o mundo está em um vale de ossos secos. Ezequiel diz que o Espírito do Senhor o levou de um lado para o outro e ele pode ver que era enorme o número de ossos no vale. Como é enorme o número de pessoas que estão morrendo em nossos dias .
Mas, mesmo ante a terrível situação o Espírito de Deus pergunta ao profeta se esses ossos poderiam tornar a viver. Ele manda Ezequiel profetizar sobre os ossos secos, fazer com que eles ouçam a Palavra do Senhor.
Este é o mesmo mandamento que o Senhor nos dá hoje: ide e pregai o evangelho a toda criatura.
E o que aconteceu? Os ossos ouviram a Palavra do Senhor e voltaram a ter vida, pois o Senhor colocou o Espírito Santo sobre eles. Mas como podermos fazer da mesma forma que Ezequiel e trazer de volta as pessoas mortas espiritualmente? Somente através do Espírito Santo! Jesus havia determinado aos discípulos que ficassem em Jerusalém até serem revestidos de poder do alto, ou seja, até a descida do Espírito Santo sobre toda a carne. E foi o que aconteceu no dia de Pentecoste, o cumprimento da profecia de Joel 2:28 e da promessa de Jesus.
Logo após receberem o Espírito Santo, Pedro profetizou, pregou a Palavra do Senhor e quase três mil pessoas tornaram a viver espiritualmente. Elas entenderam que necessitavam arrepender-se para receber o perdão dos pecados através de Jesus Cristo. Dessa forma receberiam o lavar regenerador do Espírito e tornariam a ter vida espiritual com Deus, visto que seus pecados foram justificados por Cristo.
Para você que ainda não se arrependeu, eu profetizo sobre sua vida esta Palavra, assim diz o Senhor:

1Jo 1:9 – Se confessarmos os nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça

Por isso devemos buscar a plenitude do Espírito Santo para assim como Ezequiel foi, sermos instrumentos nas mãos de Deus. Talvez você se pergunte, mas como eu posso fazer isoo? Eu não sou ninguém! Engano seu você é muito importante para Deus. Os discípulos não eram pessoas letradas, pelo contrario, eram simples trabalhadores.

Um famoso escrito chamado Orlando Boyer escreveu um excelente livro chamado Heróis da Fé. Nesta obra ele relata a história de grandes homens de Deus, que deram suas vidas em prol da obra do Senhor. Ele conta a história de um homem chamado Dwigtht Lyman Moody que viveu do ano de 1837 a 1899. Moody ficou conhecido como “o célebre ganhador de almas”. Este homem não era letrado, não tinha nenhum instrução acadêmica, contudo, reuniam-se milhares de pessoas para ouvirem suas pregações. Certa vez na cidade de Londres estava pregando em um teatro repleto de pessoas da alta sociedade, entre elas havia um membro da família real. MooDy levantou-se e tentou ler por três vezes Lucas 4:27. Como não conseguia, fechou o livro comovido, olhou para cima dizendo: “Oh Deus! Use esta língua de gago para proclamar Cristo crucificado a este povo!” O livro relata que desceu sobre ele poder de Deus a ponto de derramar sua alma em torrente de palavras que o auditório inteiro ficou como que derretido pelo fogo divino.

O que nós precisamos é de coragem para proclamar as boas novas a toda a humanidade e através do Espírito do Senhor, ossos secos tornarão a viver.

Autor: Sérgio Henrique Zilochi Soares