TEXTO BASE: 1 Crônicas 16:8-11 – Louvai ao Senhor, invocai seu nome; fazei conhecidos entre os povos seus feitos. Cantai-lhe, salmodiai-lhe, falai de todas as sua obras maravilhosas. Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente.
O antigo testamento trás para nós toda a história da criação e desenvolvimento do ministério de louvor, graças ao ritualismo do culto judaico, que foi sombra do que ocorreria por ocasião do Novo Testamento. É necessário por isso estudarmos como se constituía o louvor nos tempos passados, e entendermos qual a aplicação dos antigos rituais e atitudes para os dias de hoje. No antigo testamento o povo vivia sob uma atmosfera muito mais carnal do que espiritual. Sempre quando havia um mover espiritual, se tratavam de manifestações especiais de Deus.
Era propósito de Deus preparar o povo com toda esta liturgia de adoração pois o povo estaria sendo acostumado a obedecer, de forma que ao vir o novo caminho, Jesus Cristo, o povo já estaria preparado para entender o verdadeiro significado do louvor, através do derramamento do Espírito Santo. Vejamos alguns exemplos de manifestações corporais de louvor usadas no antigo testamento:
Ficar em Pé = Sinal de Reverência
Erguer as mãos = Sinal de Rendição. Sl 134.2
Bater palmas = Sinal de admiração e aprovação. Sl 47.1
Inclinar-se = Sinal de Reverência, respeito e humildade. Sl 95.6
Dançar = Sinal de alegria. Sl 150.4; 2 Sm 6.14,16.
1.1. O ministério levítico
Temos o costume de denominar nossos músicos e cantores, como “levitas”. A seguir, veremos algumas considerações importantes sobre os levitas do antigo testamento, e a formação do ministério levítico. O ministério levítico foi instituído por Deus, quando escolheu Levi, e toda a sua tribo como responsáveis em levar a arca da presença do Senhor, e estar diante do Senhor servindo-o, e abençoando. “Por esse tempo o Senhor separou a tribo de Levi, para levar a arca do pacto do Senhor, para estar diante do Senhor, servindo-o, e para abençoar em seu nome até o dia de hoje.” (Dt 10.8) Além disso, foi feita uma organização para a escolha de pessoas para as áreas especificas de atuação no ministério levítico. “Foram contados os levitas de trinta anos para cima; e foi o número deles, segundo o seu registro, trinta e oito mil homens. Deste número vinte e quatro mil promoverão a obra da casa do Senhor; seis mil servirão como oficiais e juízes; quatro mil como porteiros; e quatro mil para louvarem ao Senhor com os instrumentos, que eu fiz para o louvar, disse Davi. Davi os repartiu por turmas segundo os filhos de Levi: Gérsom, Coate e Merári” (1 Cr 23.3-6) Observe que nem todos os levitas estavam escalados para o ministério de louvor através da música; portanto aqui entendemos que o louvor a Deus não é somente cantar e tocar instrumentos, e sim servir ao Senhor completamente. O ministro de louvor deve estar envolvido de tal forma com a obra de Deus, que suas atribuições sejam comparadas ao serviço diaconal. A diaconia não se trata de um título ou de uma autoridade, mas de servir à casa de Deus, como um garçom serve as mesas em um restaurante. Este é o princípio do ministério levítico. Estou acostumado a ver em muitas igrejas, músicos chegando após o início do culto, afinando seus instrumentos e fazendo seus shows a parte, esquecendo de sua função principal. Muitos deles, mesmo antes da palavra, se retiram da igreja, em um atitude de rebeldia, irreverência e desobediência.Na contagem dos levitas, descrita na citação acima, observamos que Deus requer levitas “maduros” – acima de 30 anos. Entendemos que hoje a maturidade não está associada à idade e sim a responsabilidade cristã, o temor e obediência apresentados pelo levita. Vejamos mais algumas considerações:“Eis porque, segundo as ultimas palavras de Davi, foram contados os levitas da idade de vinte anos para cima. Porque o seu cargo seria o de assistirem aos filhos de Arão no serviço da casa do Senhor, nos átrios, e nas câmaras, e na purificação de todas as coisas sagradas, e em qualquer trabalho para o serviço da casa de Deus, cuidando dos pães da proposição, e da flor de farinha para a oferta de cereais, quer seja de bolos ázimos, quer seja do que se assa na panela, quer seja do que é misturado com azeite, e de toda sorte de medidas e pesos; e de estarem cada manhã em pé para render graças e louvor ao Senhor, e semelhantemente à tarde. E oferecerem continuamente perante o Senhor todos os holocaustos, nos sábados, nas luas novas e nas festas fixas, segundo o número ordenado. Também teriam a seu cargo a tenda da revelação, o lugar santo, e os filhos de Arão, seus irmãos, no serviço da casa do Senhor.” (1 Cr 23.27-32) Vemos agora que foram separados também levitas com idade entre 20 e 30 anos, com a responsabilidade de ajudar os sacerdotes no serviço da casa do Senhor. Observe que o ministério levítico é trabalhoso, porém fascinante, pois apesar de tanto trabalho, são tarefas relacionadas diretamente a glória de Deus. Observamos também que o louvor deve ser dado constantemente, através de holocaustos e atos de adoração. Este é o propósito de Deus para a vida do levita!
1.2. Os cantores e músicos no ministério levítico
“Também Davi juntamente com os capitães do exército, separou para o serviço alguns dos filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedútum para profetizarem com harpas, com alaúdes, e com címbalos.” (1 Cr 25.1)
O ministério de louvor através da música é profético. Davi, ao separar os levitas músicos, preparou para eles instrumentos especiais (harpas, alaúdes e címbalos), nos quais seriam instrumentos de louvor profético. O rei Davi conhecia a capacidade profética do louvor; muitas vezes ele foi usado para expulsar os demônios na vida de Saul, simplesmente tocando sua harpa. Você, levita, deve pedir ao Senhor que consagre seus instrumentos, seus lábios e suas mãos para o louvor profético. Se prepare então, para ter grades experiências com a glória de Deus, através deste novo louvor que partirão de seus lábios e instrumentos. E normal Deus direcionar ao levita que entende esta realidade, a fazer até atos proféticos através de seus instrumentos, como acontecia no caso das cornetas, shofar, que quando foram tocados proféticamente, até a grande muralha de Jericó foi ao chão. Em 1 Crônicas, 25.6, percebemos que os levitas músicos estavam sob a orientação e direção de seus pais. Isto significa submissão e respeito; hoje o que tem faltado em muitas igrejas são músicos submissos e humildes. Alem disso, não eram músicos despreparados. Eram instruídos, mestres em sua função (1 Cr 25:7). Em nome de Jesus, levita, entenda a sua responsabilidade ministerial, e aprofunde-se no conhecimento. Assim você será um oficial preparado para todas as batalhas e vitórias que vierem na sua frente.
1.3. Instrumentos musicais do Antigo Testamento:
METAIS:
Címbalo - II Samuel 6:5 ; Salmos 150:5
Trombeta – II Samuel 6:15 Flauta – Gênesis 4:21; Salmos 150:4
CORDAS:
Harpa – Gênesis 4:21; I Samuel 16:23
Saltério - I Samuel 10:5; Salmos 33:2
PERCUSSÃO:
Tambores – I Samuel 10:5; Gênesis 31:27
Tamborins – Êxodo 15:20; Salmos 68:25
ORQUESTRAS:
I Samuel 6:5 ; I Crônicas 15:16; II Crônicas 5:12
1.4. O louvor que atrai a glória de Deus
“...também os levitas que eram cantores, todos eles, a saber, Asafe, Remã, Jedútum e seus filhos, e seus irmãos, vestidos de linho fino, com címbalos, com alaúdes e com harpas, estavam em pé ao lado oriental do altar, e juntamente com eles cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas), quando os trombeteiros e os cantores estavam acordes em fazerem ouvir uma só voz, louvando ao Senhor e dando-lhe graças, e quando levantavam a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos de música, e louvavam ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre; então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus.” (2 Cr 5.12-14)
A Bíblia narra uma série de grandes vitórias e manifestações da glória do Senhor através do louvor ministrado pelos levitas, juntamente com o povo. Porém uma das citações que mais me impressiona está no texto acima. Quando os levitas se juntaram aos sacerdotes, e em união e harmonia adoraram ao Senhor, o templo foi tomado por uma glória tão forte, que se viu uma nuvem palpável, e os sacerdotes sequer conseguiam ficar de pé na presença da glória de Deus.
Veja bem a frase abaixo:
Debaixo da unção de Deus, podemos cantar bem, ministrar com ousadia e poder; mas debaixo da glória de Deus, não há o que fazer senão cair por terra diante da grandeza do Senhor, tão somente observando e glorificando os seus feitos.
Vamos analisar o texto acima (2 Cr 5.12-14), e observar quais atitudes dos levitas e sacerdotes ocasionaram a grande manifestação da gloria de Deus.
1.4.1. vestidos de linho fino...
“...também os levitas que eram cantores, todos eles, a saber, Asafe, Remã, Jedútum e seus filhos, e seus irmãos, vestidos de linho fino... Os vestidos de linho fino usado pelos levitas representavam a perfeição do louvor que era ministrado. Alem disso o linho era um tecido caro, nobre, e representava a nobreza do ministério de adoração a Deus. Da mesma forma o nosso louvor e adoração devem apresentar perfeição, através de santidade e espiritualidade, assim como devemos entender a nobreza que temos ao ser sacerdócio santo, nação eleita, adoradores juntamente com os anjos celestiais.
1.4.2. címbalos, com alaúdes e com harpas...
“... com címbalos, com alaúdes e com harpas”
Os instrumentos musicais foram bem usados na ministração de louvor. Há muitas igrejas, ainda, que não entendem a importância de instrumentos musicais durante a ministração de louvor.
Hoje não é de nosso costume usar címbalos, alaúdes, harpas, porem temos instrumentos semelhantes, adaptados pela tecnologia: Guitarra e contrabaixo (cordas)
Bateria (percussão)Teclado (harpa eletrônica) Os instrumentos devem ser bem afinados, e o louvor ensaiado em equipe. Alem disso estes instrumentos devem ser consagrados ao Senhor, e só usado para uso de louvores à Deus. Não coloque fogo estranho no altar de Deus, para que não seja consumido.
"...opuseram ao rei Uzias, dizendo-lhe: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que foram consagrados para queimarem incenso. Sai do santuário, pois cometeste uma transgressão; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus. Então Uzias se indignou; e tinha na mão um incensário para queimar incenso. Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, nasceu-lhe a lepra na testa, perante os sacerdotes, na casa de Senhor, junto ao altar do incenso." (2 Cr 26.18-19)
1.4.3. estavam em pé...
“... estavam em pé, ao lado do altar...”
Aqui aprendemos sobre reverência. Estar de pé significa estar reto e íntegro na presença do Senhor. Deus prefere falar com homens que estão de pé.
Quando Elias foi para o deserto, e deitou-se, pedindo a morte, o anjo disse: LEVANTA! Na bíblia, Deus se manifesta a dezenas de homens da mesma forma, orientando que estivessem de pé na presença de Deus.Estar de pé significa estar bem, pronto para a batalha, independente das aflições da guerra. O levita estava em pé ao lado do altar; mostra que o louvor “caminha” junto com a palavra de Deus.
1.4.4. sacerdotes, que tocavam as trombetas...
“...juntamente com eles, cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas...”
Na Bíblia, o tocar de trombeta representa a verbalização de palavras, na maioria dos casos divulgando a comunicação entre a criação e o Criador, e vice-versa:
Mt 24.31 – a trombeta dos anjos, juntando os remidos de Cristo
1Co 14.8 – Toque errado, prejudica a batalha
Ap 1.10 – A trombeta é a voz de Deus
A trombeta, como vemos em Apocalipse 1.10, representa a voz de Deus, ouvida por João em Patmos. Enquanto os levitas adoravam através de instrumentos musicais, os sacerdotes ministravam a palavra de Deus, e presença de Deus se fez grande naquele lugar.
Aprendemos que os músicos e os pastores, devem andar em perfeita harmonia. A liturgia do culto é constituída por louvor e palavra. Uma igreja só pode crescer com perfeição se tiver uma boa e ungida equipe de louvor, e profetas de Deus ministrando sua palavra.
Os levitas são submissos aos pastores, e a eles prestam obediência, porém a relação não deve ser apensas de submissão, mas de total entrosamento, confiança e amizade.
A continuação do texto diz: “estavam acordes em fazerem ouvir uma só voz”. Observe que o acorde não é apenas a harmonia do som extraído dos instrumentos, mas também a união dos levitas e sacerdotes na casa do Senhor.
1.4.5. outros instrumentos de música...
Alem dos instrumentos já citados, os músicos usaram “outros instrumentos”. Não existe uma lista especifica de instrumentos musicais que devem ser usados durante um momento de adoração; pelo contrário, devemos estar atentos a inovar, de forma que possamos apresentar um completo louvor ao Senhor. Tenha muito cuidado apenas, em não trazer para a casa de Deus hábitos e ritmos usados pelo mundo e pelo ocultismo nas práticas malignas. Os ritmos foram criados por Deus, e para Deus, porem em batalha espiritual vemos que Satanás usa de astutas ciladas para prejudicar o período de louvor ao Senhor. Muito cuidado também com instrumentos trazidos para a igreja. Busque a direção de Deus para que Ele lhes dê discernimento para saber se é da vontade dele que tal instrumento seja usado.
De qualquer forma, quando falo sobre “outros instrumentos”, penso em uma frase que costumo proferir, e aprendi com Ron Kenoly. Através de sua música “You can use”, ele diz: “Se quiser um instrumento, Senhor, pode usar-me. Use minhas mãos, e meus pés; toque em meu coração, Senhor. Se quiser um instrumento, pode usar-me”. Você pode ser pessoalmente um instrumento nas mãos do Senhor, mas para isso é necessário ter uma vida de consagração, santidade; ter um dia a dia de adoração e testemunho. Todos os momentos de louvor em uma igreja são regidos por grandes orquestras, a partir do momento que entendemos que cada crente é um instrumento importante nesta adoração.
1.4.6. porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre...
Na minha opinião uma das frases que Deus mais gosta de ouvir é esta. Quando o rei Josafá estava cercado pelos exércitos inimigos, a ponto de ser totalmente massacrado, Deus disse que eles não deveriam se preocupar com a luta, mas apenas adorar ao Senhor. Josafá se pos em jejum e oração, e começou a louvar juntamente com os levitas e o povo, dizendo: “Porque Deus é bom e sua benignidade dura para sempre” (2Cr 20). Enquanto eles louvavam, os inimigos se encontraram no caminho, e se auto-destruiram. O salmo 136, o salmista repete 26 vezes esta frase, glorificando a Deus por todos os seus grandes feitos. Deus gosta de ser louvado por sua bondade; ele se alegra quando somos gratos por seus grandes feitos. O louvor de gratidão é a base da adoração perfeita, que atrai a gloria de Deus.
“...então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus.”
Aleluia! Finalmente a gloria de Deus encheu aquele lugar. Os mesmos sacerdotes que tiveram que ficar de pé na presença de Deus, durante a adoração, agora estavam ali, prostrados diante da nuvem de glória; real manifestação de Deus! Louve a Deus como os levitas e sacerdotes, e esteja pronto para o que Deus irá fazer em sua vida.
1.5. O local de louvor do levita no Antigo Testamento
O tabernáculo e o templo no antigo testamento eram dividido em três partes distintas, a saber: Átrio, lugar santo e lugar santíssimo, também conhecido como santo dos santos. O átrio era como o pátio do tabernáculo, tendo acesso direto ao mundo exterior. Qualquer pessoa tinha acesso ao átrio, mas no lugar santo somente os levitas e sacerdotes poderiam estar. Já no santo dos santos, somente o sumo sacerdote poderia entrar, e se estivesse em desagrado com Deus, morreria ali mesmo. Era no santo dos santos que ficava a arca da aliança do Senhor, representando a presença de Deus. Os levitas não tinham contato com a arca, a não ser em época de transporte, porem na maior parte do tempo só o sacerdote poderia estar diante da “presença de Deus”.Os levitas eram servidores do templo e ali deveriam estar continuamente ministrando ao Senhor. Mais adiante vamos ver o significado do ministério levítico no novo testamento, pelo Novo e Vivo Caminho.
A EVOLUÇÃO DO LOUVOR NO BRASIL
Na época da Reforma, em que se desenvolvera o culto protestante, a música era uma auxiliadora à mensagem que deveria ser transmitida e ensinada. No Brasil, adotou-se, a principio, o modelo estrutural dos cultos dos reavivamentos, mas não o usou com os mesmo fins. Dessa forma, podemos concluir que o culto brasileiro precisava, no seu “esvaziamento litúrgico”, apenas de dois agentes específicos, o orador e o músico, para se realizar. Era muito comum que pastores fossem oradores e cantores nos cultos em que ministravam, principalmente quando ele entendia um pouco de música e que conseguia “puxar” os hinos. Contudo, no desenvolvimento do culto surgiu, como era de se esperar, um aparato musical mais técnico e específico nas igrejas protestantes de modo geral, que começou dificultar a atuação do pastor nessa área. Nas igrejas de menor potencial econômico, o ofício era realizado por “irmãos com vocação” que muita boa vontade em servir sua igreja local. Esse último exemplo foi o que mais cresceu no protestantismo histórico do país. Com a deficiência de especialistas e o acúmulo crescente de atividades realizadas pelo pastor, a distinção se fez naturalmente; os leigos não-especializados detinham a função musical e o pastor era o responsável absoluto da prédica. Assim, a subordinação da música à prédica se refletia no exercício das funções realizada pelo leigo, em subordinação ao pastor/clérigo. Em resumo, a reprodução musical nos cultos foi ganhando espaço e se desvinculando da figura do pastor.
O coral foi o primeiro elemento musicalmente elaborado do culto protestante brasileiro e ele abriu a possibilidade para que outros recursos musicais surgissem e se desenvolvessem. Com o desenvolvimento do estilo coral ficava cada vez mais distanciado o sermão da música. O que se vê, com freqüência, além do que se devia esperar, é o culto se transformar em espetáculo lítero-musical em que o fiel é mero espectador.
Mas, além desses grupos o campo protestante se viu invadido de outros grupos musicais intimamente relacionados com a chegada ao Brasil das instituições paraeclesiásticas , que introduziram no protestantismo os chamados “corinhos”. Desde então o espaço cúltico vem sendo dividido pelo pastor, responsável pela prédica e pelos agentes musicais, fragmentados em diversas formas: corais, grupos vocais, grupos musicais de condução congregacional de cânticos, grupos e solistas que se apresentavam com play-back, e outros mais.
. O enfraquecimento da condição de submissão rapidamente se transformou em confronto. Isso se deu à medida que a proliferação dos grupos musicais foi sendo sistematicamente subsidiada pelas organizações paraeclesiásticas, o que historicamente aconteceu no país nos anos 70 e 80. Além das inovações musicais, porque cantavam e tocavam o que não era hinologicamente aceito, esses grupos ousavam ser independentes no tipo de produção: cantavam, mas também falavam. Os testemunhos e as longas introduções antes das apresentações musicais, davam a tais grupos um caráter quase que autônomo. Mini-sermões faziam a ponte para a música. Tratava-se de uma perigosa inversão para quem detinha a legitimidade da prédica: esta agora, fragmentada nas mãos de jovens leigos, servia como um elemento que assessorava a música!
A tensão entre os modelos musicais litúrgicos - hino e corinhos/cânticos- era na realidade a tensão entre a música e a prédica. A busca da autonomia musical no culto e o enfraquecimento da prédica Na década de 1990, com a chegada das igrejas neopentecostais e das várias “comunidades evangélicas alternativas”, a tensão entre a prédica e a música se tornou maior.No ponto que extrapola o campo religioso, o neopentecostalismo tem, como traço marcante, a estrutura empresarial de suas igrejas, que utiliza técnicas administrativas e de marketing para a sua sobrevivência e expansão. A utilização da mídia é o caminho utilizado por quase todas as grandes igrejas neopentecostais, gerando uma visibilidade social nunca vista historicamente em nosso país em relação ao campo protestante. Tais fatores, entre outros, têm causado reações do protestantismo histórico: o neopentecostalismo é discutido, avaliado, criticado e condenado.
Há uma simbiose entre o espetáculo e o culto propriamente dito. Ora, o culto neopentecostal é quase que uma anti-proposta do culto protestante histórico. Sacralização de espaços e objetos, estetização, emocionalismo e magia, compõem sincreticamente este tipo de culto. em muitas dessas igrejas a música é o maior meio para a emoção. É a proposta do culto-espetáculo e do culto-show! Nada poderia ser mais ofensivo à concepção cúltica e litúrgica do protestantismo, que herdou do modelo kalleyano o princípio da racionalidade.
A música tornou-se não só instrumento de culto e para o culto, mas escapou de sua função litúrgica e ganhou espaço secular. Umas das igrejas que mais contribuiu para que isso acontecesse foi a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, que, com estratégias eficientes de marketing, atuou de forma decisiva na consolidação e expansão de um mercado fonográfico da música evangélica, o que denominamos de “mercado de música gospel” A proliferação e expansão desse mercado gospel trouxe aspectos totalmente novos ao campo protestante brasileiro: shows gospel, gravações ao vivo, lançamentos de CDs, mega-shows, evangelismo para as massas, entretenimento gospel. Os músicos, ora denominados “levitas”, ora “artistas gospel”, revezam suas atividades entre cultos e shows.
De fato, por vezes o lugar de importância é invertido nos cultos neopentecostais e nos espetáculos gospel: a música, que oferece um dispositivo emocional mais eficaz é privilegiada, enquanto a prédica assume um papel de complemento. Como fica então a tensão - já antiga - entre a prédica e a música no culto protestante? A música no culto protestante, que era apenas auxiliadora do sermão, foi aos poucos ganhando espaço próprio, criando dessa forma uma situação de confronto com a prédica, que pode ser intensificada ou enfraquecida dependendo de variáveis internas e externas ao campo religioso.
Nos grandes eventos gospel - que são uma mistura de louvor e show - o agente musical detém o controle dos sentimentos do público. Sob o comando do “ministro de louvor”: o público reage com choros, com euforia em excesso, com danças e gritos. As performances dos grupos são as mais diversas e podem incluir bailarinos, profecias e “ministração de cura”. Os ministérios de adoração podem ou não estarem vinculados a igrejas específicas, mas, as apresentações são incontestavelmente interdenominacionais A figura do ministro de louvor é reconhecida como uma pessoa especial e vocacionada por Deus. O termo mais usado para expressar o reconhecimento desse líder, como dotado de uma força sobrenatural, é “unção”. É assim que o público manifesta suas comparações entre os ministérios e seus líderes, classificando-os em mais ou menos ungidos.
O louvor carismático, divulgado amplamente pela mídia especializada, está em pleno acordo com os shows musicais seculares. As apresentações das bandas, a performance nos palcos e o uso de alta tecnologia fazem desses encontros verdadeiros espetáculos emocionais.
COMO DEVEMOS FAZER PARA VER A MUSICA COMO ARTE E MISSÃO?
Devemos ver a música como:
Adoração (leitourgía): Cabe notarmos que a adoração é "a primeira responsabilidade da Igreja". A adoração é também o grande objetivo da igreja e de seu culto. A música cristã participa deste objetivo, sendo um instrumento de comunicação entre Deus e os homens. Um meio pelo qual Deus pode expressar-se, e ao mesmo tempo permitir ao homem expressar uma resposta positiva à iniciativa da divindade. De modo que, acima de qualquer outro objetivo, a música eclesiástica deve orientar-se à adoração a Deus.
Proclamação (kerygma): A música da igreja apregoa os feitos redentores de Deus em favor dos homens, e estende a eles um convite à fé e ao compromisso cristão. Ellen White o expressou desta maneira: "A voz humana tem muito poder efetivo e musicalidade, e que aquele que aprende a cantar realiza esforços decididos adquirirá o habito de falar e cantar que será para ele um poder para ganhar conversos para Cristo".
Testemunho (marturía): A música cristã prove a oportunidade para compartilhar a fé e a experiência cristã com os outros. É um veículo adequado para contar o que o Senhor tem feito na vida de cada testemunha. Os que não crêem podem receber esse testemunho, e os crentes serão edificados.
Educação (didajé): A música sacra constitui um ministério docente porque, como a música é educativa, pode transmitir com eficácia importantes aspectos do caráter e das ações do Criador. A serva do Senhor expressou assim: "É um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes à alma oprimida e pronta a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus - as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância - e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras almas
Serviço (diakonía): A música cristã é muitas vezes um remédio para o espírito humano. Outorga ânimo, consolo e fortaleza. ao selecionar as músicas para serem usadas, analise o contexto e as pessoas que participarão, executando-as e ouvindo-as. Se a música levar a maior parte das pessoas a Jesus, num espírito de adoração e louvor, sem ruído de comunicação, ela é adequada; caso contrário, deve ser substituída (mas tal substituição não quer dizer que em outro contexto a música não seja adequada), a despeito dos gostos particulares Ao submetermos um cântico dentro do recinto sagrado, devemos analisar se ele serve de instrumento de prestação de culto, de adoração. Se a música não puder conduzir os adoradores à veneração ao sagrado, provavelmente não será apropriada para uso nos Átrios do Senhor. Mas isto não quer dizer que, se a música não serve para ser usada na igreja, então ela é pecaminosa. Em toda adoração deve haver louvor, mas nem sempre há adoração em todo louvor. A música na igreja deve ser o preguinho na parede, que segura o quadro Jesus.
Comunhão (koinonía): A música cristã enfatiza a unidade da igreja e fortalece os laços de amor entre seus membros. Além de unir, o canto freqüentemente provê uma das poucas oportunidades de genuína participação conjunta. A oração e o canto unem os pensamentos dos adoradores e os orienta na direção do divino. Por isso, "O canto não deve ser feito apenas por uns poucos. Todos os presentes devem ser estimulados a tomar parte no serviço de canto."
A musica como expressão
". Junto com a pregação bíblica, o canto cristão pode ser um canal de comunicação entre Deus e os homens. A música da igreja deve apresentar a Deus tal como a Escritura o revela: um Deus que desperta o temor reverente tanto quanto o gozo cristão. O perigo se encontra em reduzir a emoção a sua expressão superficial: o sentimentalismo. Isto resulta em desconectar a música do conjunto da realidade cultual, de seu contexto teológico e experimental, e impor com insistência as preferências individuais.
Analisemos a passagem de 1 Co 14:15 – louvar com entendimento
"A capacidade de discernir entre o que é reto e o que não o é, podemos possuí-la unicamente pela confiança individual em Deus. Cada um deve aprender por si, com auxílio dEle, mediante a Sua Palavra. A nossa capacidade de raciocinar foi-nos dada para que a usássemos, e Deus quer que seja exercitada." (E. G. White, Educação, p. 231
A música cristã há de ser a expressão dos princípios fundamentais da fé. A leitura e a pregação da Escritura não é substituída nem ofuscada pela música, apenas realçada por ela. O sermão e o canto devem ser simples e compreensíveis para a grande maioria. Não se prega para teólogos, nem se canta para músicos, apenas para o Senhor e para a igreja.
William Temple: "Adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos. E tudo isto se traduz em louvor, a mais íntima emoção, o melhor remédio para o egoísmo que é o pecado original."
A palavra traduzida mais freqüentemente para adorar é o vocábulo hebreu shachah, que aparece mais de 170 vezes na Bíblia hebréia com o significado de “adorar, prostrar-se, inclinar-se” (Êxodo 34:8; Salmos 66:4; 95:6; Zacarias 14:16). A outra palavra é abhôdhâ, que significa servir com temor reverente, admiração e respeito. No Novo Testamento, a palavra principal para adoração deriva da palavra grega proskyneo. "Pros" significando "até" e "kuneõ" "beijar"; ou seja, beijar a mão de alguém, como sinal de consideração, fazendo-se uma inclinação respeitosa. Proskyneo é usada quase 60 vezes com o sentido de fazer reverência, prestar obediência, adorar a Deus, reverenciar a Jesus Cristo, idolatrar (Mateus 4;10; Marcos 5:6; Atos 7.43 - cf. Apocalipse 9:20; 14:9; 22:8).
Existem 249 passagens bíblicas que se referem a louvor, destas 215 referem-se ao louvor do ser humano a Deus. Por ser um número tão grande, não estão transcritas aqui. Devemos dar grande importância ao louvor a Deus. A música só é aceitável a Deus quando o coração é consagrado, e enternecido e santificado por suas faculdades. Muitos, porém, que se deleitam na música não sabem coisa alguma de produzir melodia ao Senhor, em seu coração.
Exibição não é religião nem santificação. Coisa alguma há, mais ofensiva aos olhos de Deus, do que uma exibição de música instrumental, quando os que nela tomam parte não são consagrados, não estão fazendo em seu coração melodia para o Senhor. A mais aprazível oferta aos olhos de Deus, é um coração humilhado pela abnegação, pelo tomar a cruz e seguir a Jesus. Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de nós. – Review and Herald, 14 de novembro de 1899. Louvor Falso e Verdadeiro Louvor. Aparelhamento faustoso, ótimo canto e música instrumental na igreja não convidam o coro angelical a cantar também. À vista de Deus estas coisas são como galhos da figueira infrutífera, que só mostrava folhas pretensiosas. Cristo espera frutos, princípios de bondade, simpatia e amor. Estes são os princípios do céu, e quando se revelam na vida de seres humanos, podemos saber que Cristo, a esperança da glória, está formado em nós. Pode uma congregação ser a mais pobre da Terra, sem música nem ostentação exterior, mas se ela possuir esses princípios, os membros poderão cantar, pois o gozo de Cristo está em sua alma, e esse canto podem eles oferecer como uma oblação a Deus.
Autor: Sérgio Henrique Zilochi Soares

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