terça-feira, 15 de setembro de 2015

Arrependimento Bíblico

Texto Base 2 Co 7.8-11

O que é o verdadeiro arrependimento?

Conceito: Arrependimento Bíblico é um abandono consciente por parte da pessoa regenerada do pecado e uma volta para Deus numa completa mudança de vida. Significa não só um afastamento das más obras, mas também, a tomada de uma nova direção.


PALAVRA ARREPENDIMENTO – do grego metanóia, que significa reflexão tardia, mudança de mente. Envolve tanto um afastamento do pecado quanto uma volta para Deus. Essa palavra tem um rico significado, pois é a combinação de meta e noia. Meta significa com, depois ou além, aponta para a mudança que se segue. Nous significa mente, atitude, maneira de pensar, disposição, caráter ou consciência moral. Literalmente Metanoia significa uma mudança de mente ou coração. Envolve muito mais que uma tristeza pelo pecado, envolve uma mudança intelectual da pessoa toda e toda sua visão da vida. ( Salvos pela Graça, Anthony Hoekema. Pag. 129) Mateus 4:17: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.”
A palavra arrependimento também pode ser expressa através do verbo, metalomai, que significa lamentar, sentir. Realça a tristeza pelo pecado cometido produzindo uma mudança de pensamento, sentimento e vontade. Significa não só o afastamento das más obras, mas também, a tomada de uma nova direção João Batista disse: “Produzi pois frutos dignos de arrependimento.” (Dicionário de Vine, pag. 415) Mateus 3:8.
Segundo Willian Chamberlain arrependimento é quando se olha a frente em esperança e antecipação, enquanto lástima ou remorso só olham para trás com vergonha. Arrependimento não só expressa mudança de conduta, mas lida primariamente com os aspectos do nascedouro de nossas ações e da fonte dos nossos motivos.
Quem precisa arrepender-se? Por quê? Qual a importância do arrependimento? Todos nós precisamos nos arrepender. Devemos ter a consciência de nossa condição antes de conhecermos a Cristo.
Salmo 14:1-3 – “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem. O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.”
Eclesiastes 7:20 – “Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.”
Isaias 53:6 – “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.”
Romanos 3:10-12 – “como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem”
Efésios 2:1 – “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”
Somente através do arrependimento é que podemos chegar até Deus. O arrependimento é tão importante que o Novo Testamento praticamente inicia e termina com exortação ao arrependimento. A primeira e a última mensagem exortativas são da necessidade de arrependimento.
Mateus 3:2 – “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”
Apocalipse 3:19 – “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.”
João Batista iniciou seu ministério chamando as pessoas ao arrependimento e Jesus da mesma forma. Mateus 4:17 – “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.”
Em todo seu ministério Jesus pregou mudanças de postura e atitudes que aproximariam o homem de Deus. Após ressuscitar e aparecer aos discípulos Jesus abre a mente deles a respeito das Escrituras e o que deveria ser feito.
Lucas 24:46-47 – “e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.
2 Pedro 3:9 – “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”
Atos 17:30 –“Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;”
E foi o que os discípulos de Jesus fizeram:
Pedro em Atos 3:38 – “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.”
Paulo em Atos 26:20 – “antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e depois em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.”
O verdadeiro arrependimento pode ser dividido em partes para melhor compreensão:
1) Um aspecto intelectual – o verdadeiro arrependimento envolve, primeiro, o conhecimento da santidade e da majestade de Deus. O arrependimento tem que incluir o reconhecimento dos próprios pecados e da culpa como transgressão à Lei de Deus e a violação de sua vontade para a nossa vida. Isaias 6:5
2) Um aspecto emocional – é preciso haver uma tristeza do pecado em si, porque amamos a Deus e estamos sentidos por havê-lo desagradado
3) Uma atitude – tem que haver um desvio interior para longe do pecado e uma busca do perdão. Deve haver um nós uma mudança de propósito e motivação. A mudança interior precisa ser mostrada exteriormente e resultar em uma vida mudada.
Arrependa-se peça perdão a Deus e reconcilie-se com o Todo-Poderoso. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9.
Conversão pode ser definida como um ato consciente e voluntário de uma pessoa regenerada que volta-se para Deus em arrependimento e fé. Isso envolve um duplo desvio: para longe do pecado e para próximo de Deus.
“Conversão é nossa resposta espontânea ao chamado do evangelho, pela qual sinceramente nos arrependemos dos nossos pecados e colocamos a confiança em Cristo para receber a salvação. A palavra conversão significa volta – aqui ela representa uma volta espiritual, voltar-se do pecado para Cristo . O voltar-se do pecado é chamado arrependimento, e o voltar-se para Cristo é chamdo fé. Podemos considerar cada um desses elementos da conversão e não importa a respeito de qual deles discutamos primeiro, porque um não pode ocorrer sem o outro, e eles devem ocorrer juntos quando se dá a verdadeira conversão. (Teologia Sistematica, Wayne Grudem, pag. 592)
Para haver uma genuína conversão deve acontecer:
1) A iluminação da mente pela qual o pecado é conhecido como ele é, na realidade um comportamento que desagrada a Deus. Romanos 6:23 – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.”
2) Autêntica tristeza pelo pecado, não apenas remorso por causa dos seus resultados amargos. Salmo 38:18 – “Confesso a minha iniqüidade; entristeço-me por causa do meu pecado.” 2Coríntios 7:10 – “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte.”
3) Humilde confissão do pecado, tanto para com Deus como em relação aos outros que foram feridos pelos erros cometidos. Salmo 32:5 – “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado.”
4) Ódio pelo pecado, incluindo a decisão de fugir dele. Salmo 45:7 – “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.” 1 Coríntios 6:18 – “Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” 1 Timóteo 6:11 – “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.”
5) Retorno a Deus como gracioso Pai em Cristo, com fé de que ele pode perdoar os nossos pecados e faz isso. Jeremias 5:1 –“Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai- vos, e buscai pelas suas praças a ver se podeis achar um homem, se há alguém que pratique a justiça, que busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela.”
6) Alegria de coração em Deus por meio de Cristo. Salmo 100:2 –“Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico.” 1 Pedro 1:8 – “a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória”
7) Amor genuíno por Deus e pelos outros juntamente com o prazer no serviço de Deus. Salmo 119:77 –“Venham sobre mim as tuas ternas misericórdias, para que eu viva, pois a tua lei é o meu deleite.” 1 Coríntios 15:58 –“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”
Conhecimento e aprovação não são suficientes. Além disso, meramente conhecer os fatos e aprova-los ou concordar que eles são verdadeiros não é suficiente. Nicodemos sabia que Jesus tinha vindo de Deus, porque disse: ‘Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém podes fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2) Nicodemos tinha avaliado os fatos da situação, incluindo os ensinos de Jesus e seus milagres notáveis, e chegado a uma conclusão correta a partir desses fatos: Jesus era um mestre vindo de Deus. Mas isso somente não significa que Nicodemos tinha fé salvífica.
Vamos destacar dois tipos de arrependimento:
1) ARREPENDIMENTO DE PEDRO: resultou em perdão – Mateus 26:75: “E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente” e restauração – João 21:15-17: “Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu- lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeirinhos. Tornou a perguntar-lhe: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Pastoreia as minhas ovelhas. Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: Amas- me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.”
2) ARREPENDIMENTO DE JUDAS: embora Judas tivesse a consciência do que ele havia feito era errado, não há evidências de que ele tenha confessado seu pecado e rogado por perdão ao Senhor. Mateus 27:3-5: “Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo. E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se.”
Diferença entre Saul e Davi
Deus chama Saul para liderar Israel, fazendo-o subir da menor das tribos (1 Sm 9.15). Essa convocação é resposta aos clamores de Israel (9.16), da mesma forma como aconteceu com o chamado de Moisés em Êxodo 2.23-25. A misericórdia de Deus leva-o a instalar a monarquia. Como representante de Yahweh, Samuel unge Saul, uma cerimônia que simboliza a unção do Espírito que mais tarde Saul recebe (1 Sm 10.1-13). Por sua vez o Espírito de Deus capacita Saul a derrotar os filisteus e, desse modo, reunir todo o Israel em torno de si (11.6). Não pode haver dúvida de que Yahweh escolheu e abençoou Saul ou de que, a esta altura dos acontecimentos, Saul obedece Deuteronômio 17.14-20 ou ainda de que um retorno ao sistema de juizes é improvável, se não impossível.
O fracasso de Saul acontece em três atos, nenhum dos quais afeta o sucesso de Israel na guerra. Primeiro, o próprio Saul oferece sacrifícios quando Samuel não aparece como prometido e o exército enfraquece antes de uma batalha importante (1 Sm 13.1-19). Samuel informa-o que ele agiu tolamente, tão tolamente que perdeu a oportunidade de Deus lhe dar um reino eterno (1 Sm 13.10-13).
Segundo, Saul faz um voto apressado que seu filho diz “trazer desgraça” ao povo (14.1-30). Embora Deus lute por Israel contra os filisteus (14.15-23) e a despeito das vitórias de Jônatas que provam que Deus está com Israel, Saul jura que o exército não se alimentará até ele ter se vingado (14.24). Esse voto assemelha-se ao malfadado voto de Jefté (Jz 11.31- 40)32 e revela que Saul “está fora de sintonia com Deus e até mesmo com natureza e as necessidades humanas”. Também deixa implícito que para Saul o objetivo da guerra é mais promover vingança pessoal do que reabilitar o nome de Yahweh ou alcançar segurança para o povo. Em outras palavras, ele age como outros reis. Só a intervenção do povo impede Saul de executar Jônatas assim como Jefté sacrificara a filha (14.31-52).
Terceiro, Samuel traz da parte de Deus uma ordem explícita para que Saul destrua os amalequitas na guerra (15.1-3). O motivo é a antiga oposição de Amaleque a Israel (v. Ex 17.8-16; Dt 25.17-19), e o método de guerra acha-se detalhado em Deuteronômio 20.16-18. Desobedecer significa recusar-se a honrar a palavra escrita ou revelada de Deus. Embora Deus conceda a vitória, Saul poupa o rei inimigo e o melhor do saque, destruindo apenas despojos sem valor (15.1-9). Mais uma vez ele age exatamente como quase qualquer outro rei, dessa forma compreendendo erroneamente o sucesso no trabalho de um rei.
Yahweh rejeita Saul e envia Samuel para informá-lo disso (1 Sm 13.13 - 15.10-12). Saul erigiu um monumento a si mesmo, mais um indício de sua atitude quanto à guerra (15.12). Quando confrontado, reconhece a desobediência só debaixo de muita pressão. Mesmo então acredita que agiu bem e confessa o erro só porque deseja manter o poder (15.30), um desejo que mais tarde torna-se uma obsessão. A condenação por Samuel é simples: Saul tem rejeitado a palavra de Yahweh, o qual tem sempre insistido que a obediência vem antes do sacrifício (15.19-23). Desse modo sua rejeição é definitiva (15.26-29). Deve-se uma vez mais ressaltar que Yahweh decide rejeitar Saul. Quem escolheu Saul também pode substituí-lo.




Autor: Sérgio Henrique Zilochi Soares

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