terça-feira, 15 de setembro de 2015

Divindade e Personalidade do Espírito


Pode-se estabelecer a veracidade da divindade do Espirito Santo com base na Escritura segundo uma linha de comprovação muito semelhante a que foi empregada com relação ao Filho:
(1) São-lhe dados nomes divinos, Ex 17.7 (compare com Hb 3.7-9); At 5.3,4; 1 Co 3.16; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21.
(2) São lhe atribuídas perfeições divinas, como onipresença, Sl 139.7-10; onisciência, Is 40.13,14 (compare com Rm 11.34); 1 Co 2.10,11; onipotência, 1 Co 12.11; Rm 15.19, e eternidade, Hb 9.14.
(3)El realiza obras divinas, como a criação, Gn 1.2; Jo 26.13; 33.4; renovação providencial; Sl 104.30; regeneração, Jo 3.5,6, Tt 3.5; e a ressurreição dos mortos, Rm 8.11.
(4) É-lhe prestada honra divina, Mt 28.19; Rm 9.1; 2 Co 13.13.

A personalidade do Espírito Santo

As expressões "Espirito de Deus" e "Espirito Santo" não sugerem personalidade com a clareza que o termo "Filho" sugere. Além disso, a pessoa do Espirito Santo não apareceu de forma claramente discernível entre os homens, como aconteceu com a pessoa do Filho de Deus. Como resultado, a personalidade do Espirito Santo muitas vezes foi posta em questão e, portanto, merece atenção especial. A personalidade do Espirito foi negada na Igreja Primitiva pelos monarquistas e pneumatomaquianos. Nesta negação eles foram seguidos pelos socianos dos dias Reforma. Mais recentemente, Schleiermacher, Ritschl, os unitários, os modernistas dos dias atuais e todos os
sabelianos modernos rejeitam a personalidade do Espirito Santo. Muitas vezes se diz hoje em dia que as passagens que parecem implicar a personalidade do Espirito Santo simplesmente contem personificações. Mas as personificações certamente são raras nos escritos em prosa do Novo Testamento, e podem ser reconhecidas com facilidade. Ademais, essa explicação evidentemente destrói o sentido de algumas dessas passagens como, por exemplo, Jo 14.26; 16.7-11; Rm 8.26.

A prova bíblica da personalidade do Espirito Santo e mais que suficiente:
(1) Designativos próprios de personalidade Lhe são dados. Embora pneuma seja neutro, o pronome masculino ekeinos e utilizado com referencia ao Espirito Santo em Jo 16.14; e em Ef 1.14 algumas das melhores autoridades tem o pronome relativo masculino hos. Além disso, e lhe aplicado o nome Parakletos, Jo 14.26; 15.26; 16.7, termo que não pode ser traduzido por "conforto", "consolação", nem pode ser considerado como nome de alguma influencia abstrata. Um fato que indica que se trata de uma pessoa e que o Espirito Santo, como Consolador, e colocado em justaposição com Cristo como Consolador que estava para partir, a quem o mesmo termo e aplicado em 1 Jo 2.1. E verdade que este termo e seguido pelos neutros ho e auto em Jo 14.16-18, mas isto se deve ao fato de que intervém o vocábulo pneuma.
(2) São-lhe atribuídas características de pessoa, como inteligência, Jo 14.26; 15.26; Rm 8.16, vontade, At 16.7; 1 Co 12.11, e sentimentos, Is 63.10; Ef 4.30. Demais, Ele realiza atos próprios de personalidade. Sonda, fala, testifica, ordena, revela, luta, cria, faz intercessão, vivifica os mortos, etc., Gn1.2; 6.3; Lc 12.12; Jo 14.26; 15.26; At 8.29; 13.2; Rm 8.11; 1 Co 2.10,11. O realizador destas coisas não pode ser um simples poder ou influencia, mas tem que ser uma pessoa.
(3) E apresentado como mantendo tais relações com outras pessoas, que implicam Sua própria personalidade. Ele e colocado em justaposição com os apóstolos em At 15.38, com Cristo em Jo 16.14, e com o Pai e o Filho em Mt 28.19; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.1,2; Jd 20,21. Uma boa exegese exige que nestas passagens o Espirito Santo seja considerado uma pessoa.
(4) Também ha passagens em que se distingue entre o Espirito e o Seu poder, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.13; 1 Co 2.4. Tais passagens seriam tautológicas, sem sentido, e ate absurdas, se fossem interpretadas com base no principio de que o Espirito e pura e simplesmente um poder impessoal. Pode-se ver isto substituindo o nome "Espirito Santo" pela palavra "poder" ou
"influencia".

Autor: Louis Berkhof
Fonte: Teologia Sistemática do autor, pg. 96,97,98 Ed CEP. Compre este livro http://www.cep.org.br

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